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Mansões e carros expõem alto padrão de vida nos EUA

<p>Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo mantêm um padrão de vida elevado nos Estados Unidos, segundo levantamento baseado em registros imobiliários, anúncios de…</p>

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Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo mantêm um padrão de vida elevado nos Estados Unidos, segundo levantamento baseado em registros imobiliários, anúncios de propriedades, publicações nas redes sociais e informações sobre viagens. Os dados apontam para mansões avaliadas em milhões de reais, carros de luxo, restaurantes sofisticados, escolas particulares e deslocamentos frequentes.O levantamento foi divulgado em 31 de agosto de 2026. Eduardo Bolsonaro é ex-deputado federal e vive no Texas desde fevereiro de 2025. Paulo Figueiredo é influenciador e empresário.

Os dois também atuam politicamente nos Estados Unidos em defesa de medidas contra o governo brasileiro e ministros do Supremo Tribunal Federal.

A apuração ocorre depois de ambos afirmarem, em diferentes ocasiões, enfrentar dificuldades financeiras atribuídas ao que chamam de perseguição política. Os registros não permitem concluir, sozinhos, qual é a origem de todos os recursos usados para manter esse padrão de vida, mas documentam valores de imóveis, veículos, viagens e despesas divulgadas publicamente.

Eduardo trocou casa de Arlington por mansão em Southlake

Ao chegar ao Texas, Eduardo Bolsonaro escolheu Arlington, onde já havia mantido uma empresa. A residência alugada tinha pouco mais de 300 metros quadrados, quatro quartos e quatro banheiros. O valor de mercado estimado era de US$ 707,7 mil, aproximadamente R$ 3,6 milhões.

O aluguel anunciado para o imóvel era de cerca de US$ 4,5 mil por mês, ou aproximadamente R$ 23,3 mil na conversão apresentada no levantamento.Em maio de 2026, Eduardo, a esposa Heloísa Bolsonaro e os dois filhos mudaram-se para Southlake, uma das cidades mais ricas do Texas. A nova casa tem 424 metros quadrados construídos, quatro quartos, piscina, terreno de 1.366 metros quadrados, acesso a quadras de tênis e uma lagoa.

O imóvel foi avaliado em US$ 1,22 milhão, cerca de R$ 6 milhões, e apareceu em anúncios de aluguel por aproximadamente US$ 5,9 mil mensais, o equivalente a cerca de R$ 30 mil. Os anúncios permaneceram ativos até fevereiro de 2026, segundo o levantamento.

A filha mais velha do casal foi matriculada em uma escola cristã localizada a cerca de 15 minutos da residência. O custo anual informado pela instituição era de US$ 18 mil, aproximadamente R$ 93,4 mil.

SUV foi comprado após mudança para os EUA

Em maio de 2025, três meses depois de se mudar para o Texas e anunciar que viveria em uma espécie de “autoexílio”, Eduardo comprou um GMC Acadia Elevation 2025 preto. O SUV de três fileiras de assentos tinha valor estimado em US$ 43,8 mil, aproximadamente R$ 226 mil.

O levantamento também registra que Jair Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões ao filho em maio de 2025. Na ocasião, o ex-presidente afirmou que havia colocado “dinheiro limpo” e legal nas mãos de Eduardo por meio de Pix.

Eduardo perdeu o salário de deputado federal depois da cassação do mandato por faltas, em dezembro. Ele também não recebe salário como escrivão da Polícia Federal desde 2015, quando a corporação recomendou sua demissão por abandono do cargo.

Em julho de 2025, o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio dos bens de Eduardo e Heloísa Bolsonaro. A medida não impediu, segundo o levantamento, a continuidade de despesas e aquisições registradas nos Estados Unidos.

Origem dos recursos é questionada

Eduardo negou ter usado recursos do filme “Dark Horse” para financiar sua vida nos Estados Unidos. A produção recebeu cerca de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro por meio do Fundo Havengate.

“A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca”, afirmou Eduardo em suas redes sociais.

Ele também declarou que explicou às autoridades americanas a origem de seus recursos durante o processo migratório e que não enfrentou problemas. Em outras ocasiões, disse viver de “renda passiva” e receber valores por cursos que ministra.

Procurado para explicar como financia o padrão de vida nos Estados Unidos, Eduardo não respondeu às perguntas do levantamento. A ausência de resposta não comprova irregularidade, mas deixa sem esclarecimento público a origem detalhada dos recursos usados nas despesas identificadas.

Ao menos 20 viagens em 18 meses

Desde fevereiro de 2025, Eduardo realizou ao menos 20 viagens, entre compromissos políticos e passeios turísticos. A agenda incluiu Disney, Park City, West Palm Beach e Miami.Durante a Copa do Mundo, ele esteve em Miami para assistir à partida entre Brasil e Escócia, em 24 de junho. O hotel escolhido tinha diárias de até R$ 16 mil, conforme os valores divulgados no levantamento.

Parte dos deslocamentos esteve ligada à atuação política. Eduardo e Paulo Figueiredo viajaram ao menos sete vezes a Washington e fizeram outras três viagens a Mar-a-Lago, na Flórida. Em maio de 2026, os dois se hospedaram no Willard InterContinental Washington durante reuniões com Donald Trump na Casa Branca.

Os quartos do hotel tinham preços a partir de R$ 1,5 mil e podiam alcançar R$ 50 mil por diária, de acordo com a categoria da acomodação. O grupo também recebeu a visita de Darren Beattie, assessor sênior de política para o Brasil no Departamento de Estado americano.

Viagem a Abu Dhabi combinou política e lazer

Eduardo também viajou ao Oriente Médio ao lado do irmão, Flávio Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. O trio divulgou encontros com autoridades no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos.

Durante a passagem por Abu Dhabi, Eduardo apareceu praticando surfe no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat.

Uma sessão de 45 minutos para surfistas intermediários e avançados custava 1,8 mil dirhams dos Emirados Árabes Unidos, cerca de US$ 953 ou aproximadamente R$ 2,5 mil, segundo o levantamento.

Paulo Figueiredo também publicou avaliações de restaurantes em Dubai. No CZN Burak Dubai, o preço estimado por pessoa variava de R$ 140 a R$ 210. No Clay Dubai, os gastos indicados ficavam entre R$ 560 e R$ 630 por pessoa.

Figueiredo comprou mansão na Flórida

Em novembro de 2025, Paulo Figueiredo comprou uma mansão em Clermont, na Flórida, por US$ 1,2 milhão, aproximadamente R$ 6,1 milhões. Para concluir a aquisição, contratou financiamento imobiliário de US$ 1 milhão.

A propriedade ocupa terreno de 17,5 mil metros quadrados e tem 515 metros quadrados de área construída. O imóvel possui dois andares, seis quartos, cinco banheiros, cozinha gourmet, sala de jogos, piscina de água salgada, jacuzzi, varanda, lareira e casa na árvore.

Seis meses depois, em maio de 2026, Figueiredo comprou um Tesla Cybertruck 2026 avaliado em US$ 83 mil, cerca de R$ 427,9 mil. Ele também possui uma BMW Série 6 de 2004, avaliada em aproximadamente US$ 9 mil, ou R$ 51 mil.Figueiredo ainda é proprietário de uma casa em Weston, na Flórida, colocada à venda em junho de 2026 por US$ 1,09 milhão, cerca de R$ 5,5 milhões.

O imóvel estava registrado desde 2016 em nome da empresa Olive-Fig Tree Real Properties LLC, também pertencente ao influenciador. Em outubro de 2025, foi transferido para o nome dele.

Compra ocorreu após alegação de falta de recursos

A compra da mansão em Clermont ocorreu um mês depois de Figueiredo informar à Justiça dos Estados Unidos que não tinha recursos para contratar um advogado para representar a empresa International Treasure Group.

A companhia foi condenada à revelia em processo de falência relacionado a transferências supostamente vinculadas à fraude atribuída ao magnata chinês Miles Guo. Segundo a defesa, a empresa havia recebido US$ 140 mil, cerca de R$ 670 mil, por serviços prestados à rede social Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022.

Em depoimento ao Congresso americano, Figueiredo havia afirmado em 2024 que estava desempregado, sem suas redes sociais e respectivas monetizações, e que precisava sustentar duas filhas americanas.

Procurado pelo levantamento, Figueiredo respondeu que se financia por meio de suas empresas e que não deve satisfação a ninguém. A declaração não detalha a origem dos recursos usados na compra dos imóveis, veículos e viagens.

Despesas em restaurantes e lazer

As redes sociais também registraram a frequência de Figueiredo em restaurantes de alto padrão na Flórida.

Em abril de 2026, ele esteve no Nami, restaurante de culinária asiática no hotel Lake Nona Wave, em Orlando, onde uma refeição custava aproximadamente R$ 500 por pessoa.Em outra ocasião, foi ao restaurante MAASS, em Fort Lauderdale, e afirmou ter pago quase US$ 400, cerca de R$ 2 mil, por um menu degustação para duas pessoas.

Os gastos com alimentação e lazer não permitem calcular o custo total da manutenção do padrão de vida da família. Eles, contudo, integram o conjunto de registros usados para comparar as despesas públicas relatadas pelos dois com as declarações anteriores de dificuldades financeiras.

Atuação política acompanha padrão de vida

Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também atuam na articulação de medidas americanas contra o Brasil e ministros do Supremo. Desde 2025, participaram de reuniões com deputados republicanos e integrantes do governo de Donald Trump.

A atuação busca pressionar por tarifas, sanções e outras retaliações em resposta à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A agenda política explica parte das viagens a Washington, Mar-a-Lago e ao Oriente Médio, mas não esclarece os recursos usados em viagens particulares, moradias e bens de alto valor.

Os dados disponíveis documentam o padrão de consumo e patrimônio informado, mas não comprovam, por si só, crime, desvio de recursos ou ilegalidade. A origem de cada pagamento depende de documentos financeiros, fiscais e bancários que não foram integralmente apresentados publicamente.

Fontes:

Agência Pública — A vida de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos EUA

Intercept Brasil — Eduardo Bolsonaro mora em casa de R$ 6 milhões no Texas

Intercept Brasil — A farsa de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo

*Os valores em reais são aproximações indicadas nas fontes consultadas e podem variar conforme a cotação utilizada. A reportagem usa “levantamento” para distinguir informações documentais de alegações sobre a origem dos recursos.

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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