O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que o governo brasileiro iniciou o processo de reciprocidade contra as tarifas dos Estados Unidos para demonstrar que o Brasil “não é pouca coisa”. A declaração foi dada em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, no Palácio da Alvorada.
“Ontem, entramos com lei da reciprocidade para a gente mostrar que a gente não é pouca coisa. Nós nos respeitamos”, disse Lula.
O presidente classificou como “mentiras” as justificativas americanas para as tarifas, que acusam o Brasil de comprar produtos fabricados com trabalho análogo à escravidão e não combater o desmatamento.
“Nós fomos sobretaxados falando que compramos coisa de trabalho escravo em outros países. É um ataque à China na verdade”, declarou.
Sobre possíveis consequências do processo de reciprocidade, Lula disse estar “tranquilo”. “Estou preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do mundo”, acrescentou.
O governo brasileiro iniciou na quinta-feira (13) o processo para analisar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra as tarifas adotadas pelos EUA. O Ministério das Relações Exteriores notificou o governo norte-americano e solicitou consultas diplomáticas antes de qualquer eventual contramedida.
Lula busca conversa com Trump e critica Rubio
Lula afirmou que está tentando falar com Donald Trump por telefone para ter uma conversa “tête-à-tête” e pedir que o presidente americano não interfira nos assuntos internos do Brasil, especialmente nas eleições. “Estou tentando manter o contato com ele. E vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo na questão da eleição”, disse.
O presidente também voltou a criticar o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmando que já disse a Trump que Rubio “não gosta do Brasil e da América Latina”. “É que eu acho que não é ele [que coloca taxa]. Já falei para ele que o secretário de Estado dele não gosta do Brasil”, declarou.
Lula rebateu as acusações americanas sobre desmatamento dizendo que tirou uma foto para enviar a Trump com dados do Inpe que apontam a redução do desmatamento nos últimos anos. O Brasil também acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as novas tarifas americanas.
Escalada tarifária
Em julho, os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre práticas comerciais consideradas injustas. Em agosto, foi adicionada uma sobretaxa de 12,5% contra 60 países, incluindo o Brasil, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. Com as duas medidas, alguns produtos brasileiros passaram a enfrentar tarifas de até 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

