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O governo de Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (28) a revogação de vistos de entrada de 27 autoridades, ex-autoridades, empresários e seus familiares da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. A medida foi formalizada por meio de uma nova política de restrição de vistos, fundamentada na Seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade (INA) , que prevê restrições para estrangeiros que, segundo o governo americano, “prejudiquem governos democraticamente eleitos por meio de corrupção ou atividades ligadas ao narcotráfico” .
Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que a ação faz parte dos compromissos firmados na Cúpula de Doral e reafirmados na declaração dos líderes da iniciativa “Escudo das Américas” , de 22 de setembro. “Sob a administração Trump, funcionários estrangeiros corruptos não podem mais entrar livremente nos Estados Unidos” , informou o órgão. “Enfraquecer um governo eleito democraticamente é uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas e não será tolerado. Este é um mecanismo duradouro que permite aos Estados Unidos agir rapidamente, em coordenação com nossos parceiros, à medida que as evidências surgem” , acrescentou o porta-voz Thomas Pigott.
Quem são os sancionados
A maior parte dos afetados é de bolivianos. Ao todo, 12 pessoas tiveram o visto revogado e outras nove que não possuem o visto passam a ser classificadas como inelegíveis para obtê-lo, caso solicitem. Entre os alvos na Bolívia estão:
- Roger Mariaca — Procurador-geral da Bolívia, acusado de “envolvimento em corrupção significativa” por supostamente “solicitar e aceitar propinas para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da justiça” .
- Israel Ramiro Campero Méndez — Magistrado constitucional.
- Iván Ramiro Campero Villalba — Ex-magistrado suplente do Supremo Tribunal.
- Albania Chane Caballero Saavedra — Juíza de instrução de Santa Cruz.
- Alberto Zeballos Flores — Chefe do Ministério Público de Santa Cruz.
- Rosario Ximena Flores Paniagua — Juíza de instrução criminal de Santa Cruz.
- Rodrigo Aldo Vedia Espinoza — Juiz de instrução criminal de La Guardia.
- Frans William Cabrera Quispe — Coronel da Polícia Boliviana.
- José Luis Iriarte Cussi — Empresário.
- Iván Manolo Lima Magne — Ex-ministro da Justiça e Transparência Institucional.
- Álvaro Mauricio Nava Morales Carrasco — Promotor sênior e ex-promotor departamental de Chuquisaca.
- Alberto Samuel Soto de la Vía — Ex-presidente executivo da Alfândega Nacional.
Na Colômbia, a medida atingiu duas pessoas:
- · Euclides Antonio Torres Romero — Empresário do setor de energia, trânsito e iluminação pública.
- Martha Isabel Peralta Epieyú — Senadora do partido Pacto Histórico e do Movimento Alternativo Indígena e Social (MAIS) .
No Equador, dois cidadãos foram impactados, mas o Departamento de Estado não revelou as identidades . No Peru, o alvo foi Juan Carlos Núñez Matos, juiz do Primeiro Juizado Constitucional de Lima .
O que é o “Escudo das Américas”

A aliança “Escudo das Américas” foi criada por Trump em março de 2026 e reúne cerca de 15 países da região . O grupo tem como objetivo declarado combater o crime organizado e o narcotráfico transnacional . Os quatro países afetados pelas sanções — Bolívia, Colômbia, Equador e Peru — são integrantes da coalizão.
Na semana passada, à margem da Assembleia-Geral da ONU , líderes da aliança se reuniram e reafirmaram a disposição de adotar “medidas coletivas” , com um primeiro conjunto de sanções contra 24 grupos criminosos . A revogação dos vistos desta segunda-feira é a segunda ação coordenada do bloco.
Contexto regional
A medida ocorre em um momento de tensão política em vários dos países afetados :
- A Bolívia enfrentou semanas de protestos que paralisaram boa parte do país. O governo conservador decretou estado de exceção em 20 de junho , medida que continua em vigor.
- A Colômbia acaba de eleger Abelardo de la Espriella , que se apresenta como aliado de Trump , após uma campanha acirrada e acusações de que a oposição de esquerda tentou impedi-lo de chegar ao poder.
- O Equador trava uma guerra contra o crime organizado com apoio de forças militares americanas.
- O Peru também acaba de eleger uma presidente conservadora após uma campanha disputada.
Brasil fica de fora

Nenhuma autoridade brasileira foi incluída na lista de sanções. A exclusão do Brasil ocorre em um momento de tensão entre os dois países , após o anúncio de sanções contra PCC e Comando Vermelho e a revogação de vistos de autoridades latino-americanas.
O Departamento de Estado informou que a medida é um “mecanismo duradouro” , o que significa que novas sanções podem ser aplicadas a qualquer momento , conforme novas evidências surgirem. A pasta não detalhou prazos para a próxima rodada de restrições nem informou se outros países da região podem ser incluídos nas próximas etapas.
Referências
CNN Brasil — EUA revogam vistos de autoridades latinas que acusa de minar democracia.
SBT News — Trump revoga vistos de 27 autoridades da América Latina.
AP News — US revokes visas from Latin American officials, including Bolivia’s top prosecutor.
U.S. Department of State — Visa Restrictions for Foreign Nationals Undermining Democratically-Elected Governments in Western Hemisphere Countries. Disponível em: https://www.state.gov/releases/office-of-the-spokesman/2026/09/visa-restrictions-for-foreign-nationals-undermining-democratically-elected-governments-in-western-hemisphere-countries/
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem o comunicado oficial do Departamento de Estado dos Estados Unidos, divulgado em 28 de setembro de 2026, e reportagens da CNN Brasil, SBT News, AP News, CartaCapital, Correio Braziliense, Folha de Pernambuco e O Povo. A medida é uma decisão unilateral do governo americano e não representa uma conclusão judicial sobre a conduta dos sancionados. As acusações de corrupção e narcotráfico são alegações do governo dos EUA , não condenações. Os países afetados e os sancionados não se manifestaram até a publicação desta reportagem. Não há brasileiros entre os alvos , o que não impede que o Brasil seja incluído em futuras rodadas de sanções. O espaço para manifestação dos governos da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e dos sancionados permanece aberto.

