A aeronave executiva vinculada ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, registrou 16 voos após a decretação de sua prisão preventiva no âmbito das investigações sobre fraudes financeiras. Segundo os relatórios de rastreamento aéreo, o jato privativo foi transferido para o Paraguai, onde passou a operar sob uma nova matrícula paraguaia.
A movimentação do bem em solo estrangeiro acendeu o alerta dos investigadores, que apontam a manobra como uma clara tentativa de esvaziamento patrimonial e blindagem de ativos contra ordens de bloqueio da Justiça brasileira. Para reaver a aeronave, as autoridades federais precisarão acionar os mecanismos de cooperação jurídica internacional, processo que costuma ser burocrático e exige a atuação direta do Ministério da Justiça e Segurança Pública junto ao governo paraguaio.
Mudança de Matrícula e Jurisdição
Saída da ANAC: No Brasil, as aeronaves são registradas na ANAC (prefixos PT-, PR-, PS-, PP-). Ao transferir o registro para a DINAC do Paraguai (prefixo ZP-), a aeronave passa a responder à legislação e regulação paraguaia.
Complexidade Judicial: O bloqueio ou sequestro internacional de bens exige Cooperação Jurídica Internacional (Cartas Rogatórias ou pedidos via Ministério da Justiça/Interpol), o que demanda tempo e permite brechas para que o bem continue voando.
Uso por Terceiros ou Empresas de Fachada
Estrutura de Offshores: Muitas vezes a aeronave não está em nome da pessoa física presa, mas sim de leasings, fundos de investimento ou offshores.
Continuidade Operacional: Caso o Poder Judiciário não emita uma ordem expressa de indisponibilidade ou busca e apreensão da aeronave imediatamente após a prisão, os administradores ou laranjas continuam autorizados a operá-la.
Principais Riscos Apontados por Investigadores
AspectoImpacto na Investigação
Depreciação/Venda rápida Dificulta o ressarcimento aos cofres públicos ou vítimas.
Transporte não rastreadoRisco de movimentação de valores, documentos ou foragidos entre países vizinhos.
Fraude à ExecuçãoTentativa de blindar o patrimônio antes da consolidação de bloqueios judiciais.
Sobre o uso do jatinho e as viagens ao Paraguai
Silêncio recente: A defesa não respondeu aos questionamentos da imprensa sobre os 16 voos internacionais realizados após sua prisão ou sobre a transferência das operações da aeronave para o Paraguai.
Negativa de fuga (na prisão): Em relação à sua prisão em novembro de 2025 ao tentar embarcar na aeronave, a defesa negou veementemente a intenção de fuga. Alegou que a viagem para o exterior (Dubai/Abu Dhabi) tinha motivação profissional legítima para reuniões com investidores e compradores do banco.
Sobre as acusações de fraude no Banco Master.
Negação de irregularidades: A defesa contesta as acusações de fraude financeira (estimadas em R$ 12 bilhões). Afirma que as operações de crédito e emissões de títulos foram realizadas com boa-fé e devidamente registradas na B3
Críticas às medidas judiciais: Classifica a prisão preventiva e a decretação de liquidação extrajudicial pelo Banco Central como “injustas” e desproporcionais. Argumenta que a intervenção inviabilizou soluções de mercado que solucionariam os compromissos financeiros.
Estratégia processual
Sem acordo de delação: A equipe jurídica descartou qualquer negociação de delação premiada.
Foco em nulidades e recursos: A linha defensiva está concentrada na questionabilidade de aspectos processuais e na impetração de recursos perante instâncias superiores (como o STF) para reverter as ordens de prisão e bloqueios.

