O prazo do governo do Distrito Federal para capitalizar o Banco de Brasília (BRB) e divulgar o balanço consolidado de 2025 terminou nesta terça-feira (30) sem a conclusão da operação financeira. O adiamento, o mais recente de uma série, ocorre em meio à crise provocada pela exposição do banco a operações fraudulentas do Banco Master.
A Secretaria de Economia do DF afirmou que ajusta a transação com um sindicato de bancos e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, havia afirmado que a instituição pretendia divulgar os balanços financeiros de 2025 até 30 de junho, mas o documento segue represado desde que a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, revelou irregularidades envolvendo o Banco Master.
Rombo bilionário e operação de socorro
O BRB tentou comprar o Master, mas a transação foi barrada pelo Banco Central. Ainda assim, entre 2024 e 2025, o banco distrital negociou cerca de R$ 30 bilhões com a instituição de Daniel Vorcaro[reference:3]. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos comprados do Master são inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação — o que na prática significa “crédito podre” que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco.
O acordo fechado entre DF, União, Banco Central e representantes do sistema financeiro prevê um aporte total de R$ 8,8 bilhões para reforçar o capital do BRB e recuperar sua liquidez[reference:5]. Desse valor, R$ 6,6 bilhões devem vir de um empréstimo junto ao FGC, com garantias vinculadas aos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Adiamentos sucessivos e novas promessas
O governo afirma que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte dos títulos ruins com outras medidas, mas precisaria do empréstimo bilionário para fechar a conta.
O balanço de 2025 já deveria ter sido divulgado até 31 de março de 2026, mas não foi possível por conta de auditorias que precisavam ser concluídas. Em maio, a governadora Celina Leão afirmou que o banco precisaria de “cinco, 10 ou 15 dias” para concluir as análises. O presidente do BRB, Nelson Souza, disse então que a expectativa era divulgar o balanço até 30 de junho — prazo que agora expirou sem cumprimento.
Na prática, o governo do DF, acionista majoritário do banco, ainda tenta destravar o crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC, enquanto o BRB segue sem apresentar suas demonstrações financeiras, mantendo em suspenso a real dimensão do rombo causado pelas operações com o Master.

