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Mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em poder da Polícia Federal mostram que ele participou de um almoço em Nova York, em 14 de maio de 2024, com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao responder a um interlocutor sobre onde estava, Vorcaro disse: “estava aqui com Fux”. A referência é a Rodrigo, e não ao pai.
Os dados em poder da PF não especificam o tema da conversa nem o restaurante onde ocorreu o encontro. O advogado estava participando de uma série de eventos relacionados à “Brazil Week”, que costumam ocorrer nesta época do ano em Nova York.
Degustação de uísque e camarote na Sapucaí
Na mesma data, depois do almoço, Rodrigo Fux participou de uma degustação de uísque com cerca de 40 pessoas, paga por Vorcaro, conforme revelou em junho o colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
Os encontros em Nova York não foram os únicos do filho do ministro com o banqueiro. Em 2025, Rodrigo foi convidado do camarote de Vorcaro na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, durante o Desfile das Campeãs do Carnaval.
O que diz a assessoria de Rodrigo Fux
Rodrigo Fux afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que jamais almoçou sozinho com Daniel Vorcaro. Sobre o encontro nos Estados Unidos, disse que havia “inúmeras pessoas” e que o advogado “sequer sentou-se na mesma mesa que Vorcaro”.
A assessoria também apresentou a versão do advogado sobre a degustação:

“Na sequência desse almoço, foi convidado para a mencionada degustação de uísque, na qual ficou por pouco mais de uma hora e foi embora sem ter contato com o banqueiro”.
Rodrigo nega ter mantido relação próxima ou profissional com o ex-dono do Banco Master. “Nunca tivemos relação comercial, nunca advoguei para ele”, declarou.
O ministro Luiz Fux foi procurado pela Folha de S.Paulo, mas não se manifestou até a publicação.
Disputa sobre suspeição no STF
A revelação ocorre às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada para esta terça-feira (15), que discutirá a possível abertura de investigação sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.
Aliados de Moraes têm citado a relação de Rodrigo Fux com o círculo do ex-banqueiro para pedir a suspeição de Luiz Fux no julgamento. A sessão terá entre seus temas a análise do relatório da PF que aponta suposta relação entre Moraes e o banqueiro.
A presença de Rodrigo no almoço, por si só, não comprova irregularidade nem estabelece impedimento de Luiz Fux. O fato, porém, adiciona material à disputa interna sobre quem poderá votar na sessão desta terça. Eventual questionamento à participação do ministro terá de ser formalizado e analisado no âmbito do próprio Supremo.
Contexto: a crise no STF
A crise institucional na Corte começou a partir de decisões nas investigações sobre o Banco Master e envolve também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em 14 de setembro, a PF entregou ao gabinete do ministro Cristiano Zanin uma cópia integral dos dados extraídos do celular de Vorcaro, após determinação do próprio Zanin e pedido semelhante do decano Gilmar Mendes.
O relatório da PF que embasa a sessão desta terça-feira traz 52 mensagens atribuídas a Vorcaro e enviadas a Moraes entre 2023 e novembro de 2025. Nas mensagens, o ex-banqueiro aparenta compartilhar com o ministro um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Referências
Folha de S.Paulo — Filho de Fux esteve em almoço com Vorcaro em NY em 2024, mostram mensagens em poder da PF.
Nota editorial:
As informações relatadas nesta matéria refletem mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em poder da Polícia Federal, cujo conteúdo foi divulgado pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, em 14 de setembro de 2026, e confirmado por outros veículos. As mensagens não especificam o assunto tratado no almoço nem o restaurante. A assessoria de Rodrigo Fux apresentou sua versão sobre o encontro, negando contato próximo com Vorcaro. O ministro Luiz Fux não se manifestou. A presença de Rodrigo no almoço, por si só, não comprova irregularidade nem estabelece impedimento do ministro. A discussão sobre eventual suspeição de Luiz Fux na sessão desta terça-feira (15) ainda depende de formalização e análise pelo plenário do STF.

