Eleições 2026

Ex-sócio de Flávio Bolsonaro relata suposto lobby no STF, orgias e Rolex de R$ 305 mil; senador diz ter se arrependido de ‘escolhas erradas’

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Alexandre Santini, ex-sócio do senador na franquia Bolsotini Chocolates, guardou mensagens, áudios e fotos que revelam, segundo reportagem do PlatôBR, suposta intermediação com o ministro Kassio Nunes Marques, encontros com garotas de programa e presentes de alto valor pagos por lobistas; Flávio nega as acusações e diz que o material é uma retaliação por disputa financeira

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O dossiê de Alexandre Santini

Alexandre Ferreira Dias Santini foi sócio de Flávio Bolsonaro na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen que funcionava em um shopping da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A empresa foi investigada no âmbito do caso das “rachadinhas”, que apurava a apropriação de parte dos salários de funcionários do gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual. As investigações foram posteriormente arquivadas por decisão judicial.

Os dois romperam em 2022, após o fim do negócio. Santini passou a cobrar cerca de R$ 1,47 milhão que alega ter pago do próprio bolso para cobrir despesas da empresa sem reembolso. Flávio negou a existência da dívida. Durante a disputa, o ex-sócio começou a reunir e compartilhar informações sobre o período em que mantiveram a sociedade.

Supostas festas com garotas de programa

Segundo o PlatôBR, Santini organizava encontros de Flávio Bolsonaro e amigos com garotas de programa no Rio de Janeiro e em Brasília. Uma das festas teria ocorrido no Grand Hyatt, hotel de luxo na Barra da Tijuca, com diárias de cerca de R$ 3 mil.

Em uma das mensagens reproduzidas pelo site, Santini conversa com uma agenciadora para organizar um novo encontro: “Vamos marcar outra festinha igual a do grand hyatt. Com os mesmos amigos meus… meu filho + João Pedro. Vc arruma as meninas?” . Segundo a reportagem, “meu filho” era como Santini se referia a Flávio Bolsonaro.

Na sequência, ele pede “quatro meninas” e alerta: “Precisa ser tudo sigiloso. Pois nessa época de eleição tá Fodaaaa” . A conversa ocorreu no período eleitoral de 2022, quando Jair Bolsonaro tentava a reeleição.

O ex-sócio teria guardado fotografias dos encontros, que descreveu como “impublicáveis” . Uma imagem menos explícita, feita por Santini na varanda de uma suíte do Grand Hyatt no início de 2022, foi divulgada pelo PlatôBR. O site não publicou as fotos mais explícitas.

Crise no casamento e mensagem de arrependimento

Santini teria levado parte do material a Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, durante o período em que tentava resolver as pendências financeiras. Ele apresentou à dentista mensagens, imagens e registros que indicariam a participação de Flávio nos encontros com garotas de programa.

Após o episódio, Flávio enviou uma mensagem a Santini pedindo que ele se afastasse de sua mulher. No texto, reproduzido pelo PlatôBR, o senador afirma: “Não sei o que vc está ganhando querendo destruir meu casamento e minha família, mas saiba que Deus te usou pra me fazer um pai, um marido e uma pessoa melhor.” Em seguida, diz: “Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com minha família.”

Flávio também pede que Santini “se afaste definitivamente da Fernanda” e não a procure mais. Ao final, afirma: “Nunca imaginei que logo vc seria a pessoa a me dar tiro nas costas desse jeito.” Santini teria respondido: “Flávio, você tem noção do que você escreveu, e para quem escreveu? Acredito que tenha mandado para a pessoa errada. Abraço.”

O Rolex de R$ 305 mil e outros presentes

Foto de Rolex está entre as mensagens trocadas por Santini com Flávio
Imagem: PlatôBR/Cedido ao UOL

Entre os documentos guardados por Santini está uma nota fiscal de 10 de fevereiro de 2022 referente à compra de um Rolex Submariner Date de ouro branco por R$ 305 mil. A nota está em nome do advogado Alan Belaciano, amigo de Flávio. Segundo o PlatôBR, mensagens indicam que o relógio foi comprado para Flávio.

O advogado também teria pago mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia instalados na casa do senador, em Brasília. Pessoas próximas a Flávio também teriam arcado com reparos na residência, uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de academia.

Quando o caso do relógio veio a público anteriormente, Flávio afirmou que a compra havia sido feita por um amigo como “empréstimo pessoal” , que seria posteriormente quitado.

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Suposto lobby no STF com Kassio Nunes Marques

O ponto mais sensível do material envolve uma suposta articulação de Flávio Bolsonaro com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o PlatôBR, no fim de 2023, em meio à disputa financeira, Santini enviou uma mensagem a Flávio cobrando o acerto e lembrando uma informação que dizia conhecer sobre sua atuação em Brasília.

“Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso” , escreveu Santini. “Você é maluco ou inconsequente! Brasília não tem muros e seu amiguinho está sendo observado…”

O caso seria conduzido pelo advogado Alan Belaciano. A intermediação teria avançado até a organização de um jantar para tratar do assunto, com participação prevista do chefe de gabinete de Nunes Marques. O PlatôBR não informa quem era o cliente, qual era o processo nem qual providência estaria sendo buscada no gabinete do ministro. Também não apresenta registro de eventual decisão de Nunes Marques em benefício dessa pessoa.

Após receber a mensagem, Flávio respondeu no mesmo dia e marcou uma reunião com Santini em seu gabinete. Não há informação sobre o conteúdo do encontro. Posteriormente, Santini comunicou a interlocutores que a disputa havia sido encerrada.

A resposta de Flávio Bolsonaro

Procurado, Flávio Bolsonaro não se manifestou diretamente sobre as revelações até a publicação desta reportagem. Em declarações anteriores, o senador já havia afirmado que o relógio foi um “empréstimo pessoal” de um amigo e que o material reunido por Santini é uma retaliação por causa da disputa financeira.

O que diz o ministro Kassio Nunes Marques

O ministro Kassio Nunes Marques não se manifestou sobre as acusações até a publicação. Em reportagens anteriores, o ministro negou favorecer Flávio Bolsonaro e prometeu neutralidade na condução dos processos eleitorais sob sua responsabilidade no TSE.

Referências

ICL Notícias — Ex-sócio de Flávio Bolsonaro relata lobby do senador com Kassio no STF, diz site. Disponível em: https://iclnoticias.com.br/ex-socio-de-flavio-relata-lobby-senador-kassio/

Revista Fórum — Ex-sócio de Flávio Bolsonaro revela supostas orgias com prostitutas e lobby no governo do pai. Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/ex-socio-flavio-orgias-prostitutas-lobby/

Revista Fórum — Ex-sócio teria fotos “impublicáveis” de Flávio Bolsonaro com prostitutas. Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-fotos-putas/

Revista Fórum — Ex-sócio de Flávio Bolsonaro revela suposta orgia com 4 garotas em hotel de luxo. Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-orgia-hotel-de-luxo-epoca-de-eleicao/

Notas Editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem a reportagem do site PlatôBR, assinada pelo jornalista Rodrigo Rangel, e reportagens da ICL Notícias, Revista Fórum, Bahia Notícias e CartaCapital, publicadas em 29 de setembro de 2026. O material reunido por Alexandre Santini é um conjunto de mensagens, áudios, fotos e documentos que ainda não foi submetido a verificação independente por autoridades ou perícia. As acusações de lobby, orgias e presentes de alto valor são alegações do ex-sócio e não constituem condenação. O PlatôBR não identificou o cliente, o processo ou a suposta providência buscada junto ao ministro Kassio Nunes Marques. O ministro não se manifestou sobre as acusações. Flávio Bolsonaro nega as irregularidades e afirma que o material é uma retaliação por causa da disputa financeira. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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