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O candidato a deputado federal Wilker Leão (Novo-DF) foi preso em flagrante pela Polícia Federal no domingo (27) após pintar de branco, sem autorização, paredes externas do Instituto de Artes (IdA) da Universidade de Brasília (UnB). A ação ocorreu por volta das 17h e foi acompanhada por apoiadores e por um cinegrafista de campanha, Anderson Nigro Ramos, que registrava a atividade.
Segundo o registro policial, um homem questionou se Wilker tinha autorização para pintar o local. O candidato respondeu: “Bandeirinha LGBT aqui só vai sobrar do teu celular, viu?” , em referência ao aparelho usado para gravar a discussão. O homem afirmou ser advogado e disse que comunicaria o caso à universidade. A segurança da UnB acionou a Polícia Militar, que conduziu Wilker e Anderson à Polícia Federal.
A UnB divulgou nota de repúdio contra “atos de violência e depredação de patrimônio público” e associou o episódio a “métodos adotados pela extrema-direita” que, além de ilegais, “são covardes, porque só se viabilizam na impossibilidade do debate qualificado” . A universidade informou que estudantes foram agredidos durante a confusão e que adotaria “todas as providências administrativas e jurídicas cabíveis” .
Justiça concede liberdade provisória sem fiança e sem cautelares
Na segunda-feira (28), a Justiça Federal no Distrito Federal concedeu liberdade provisória a Wilker Leão e a Anderson Nigro Ramos. A decisão foi assinada pelo juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal.
O Ministério Público Federal (MPF) havia pedido a soltura mediante pagamento de R$ 20 mil de fiança** para Wilker e **R$ 10 mil para Anderson, além de medidas cautelares. A Justiça, porém, dispensou tanto a fiança quanto qualquer restrição. O magistrado argumentou que o crime de dano qualificado tem pena máxima de três anos de detenção, a ser cumprida em regime inicial aberto, e que não havia elementos concretos indicando risco de fuga, interferência na produção de provas ou ameaça a testemunhas.
Na decisão, o juiz afirmou: “Os relatos de tentativas anteriores de pintar paredes da UnB e de prosseguimento da pintura após a advertência são relevantes para a apuração do fato. Contudo, sem indicação de preparação de nova ação, ameaça concreta de reiteração ou outro dado atual que revele risco decorrente da liberdade dos conduzidos, tais relatos, isoladamente, não demonstram a necessidade de proibir o ingresso na universidade ou de impor qualquer outra medida cautelar” .
Histórico de conflitos e reação do candidato após soltura
Wilker Leão é ex-estudante do curso de História da UnB e foi expulso da universidade em setembro de 2025 após processo disciplinar que o condenou por gravar sem consentimento professores e alunos, com o objetivo de ridicularizá-los. Em abril de 2026, ele foi condenado pela Justiça do Distrito Federal por difamação e injúria contra um professor da instituição.
O candidato também já havia convocado, em abril, um ato na UnB que estimulava violência contra estudantes, com menções como “trocar porrada com os vermes” e “porrada nos comunistas” . O ato foi posteriormente suspenso.
Após deixar a Polícia Federal, Wilker publicou um vídeo nas redes sociais no qual afirmou que a prisão foi “arbitrária” e que estava de volta à campanha. “Quem diria que revitalizar o patrimônio ou pintar de branco, fazendo com que ele volte a sua origem, me geraria uma prisão por crime de dano ao patrimônio público, sendo que o objetivo era o contrário, era o de revitalização” , declarou. Ele disse que cobriu pichações que considerava ofensivas, incluindo uma que fazia referência a Jesus Cristo, e afirmou que não estava no local para fazer campanha política.
A defesa do candidato não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O g1 e outros veículos tentaram contato com os advogados de Wilker e de Anderson.
Referências
Agência Brasil — PF prende candidato de extrema direita por depredar patrimônio da UnB.
G1 — Juiz manda soltar candidato a deputado federal preso no DF por pintar muro da UnB sem aval.
Congresso em Foco — Wilker Leão é preso em flagrante após tumulto no campus da UnB.
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens da Agência Brasil, G1, Congresso em Foco, Jornal de Brasília, Estadão, O Liberal e Correio Braziliense, publicadas em 27 e 28 de setembro de 2026. A prisão em flagrante e a posterior soltura são fatos confirmados pelas autoridades e pela Justiça Federal. A classificação do episódio como “métodos da extrema-direita” é uma avaliação da Universidade de Brasília , não uma conclusão judicial. As declarações de Wilker Leão após a soltura são versões do próprio candidato. O mérito da investigação sobre o dano ao patrimônio ainda será apurado. O espaço para manifestação das defesas e de todos os envolvidos permanece aberto.

