Economia

Contas do governo registram déficit de R$ 53,2 bilhões em maio, mas resultado vem em linha com o esperado

Por Igor Alves • 1 de julho de 2026

O Governo Central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou um déficit primário de R$ 53,2 bilhões no mês de maio. O dado, divulgado oficialmente pelo Ministério da Fazenda, aponta um saldo negativo nas contas públicas no período, refletindo a tradicional sazonalidade de despesas e o peso das transferências constitucionais. Apesar do número expressivo, o resultado não gerou pânico nos mercados financeiros porque veio alinhado com a mediana das projeções de economistas e analistas do setor privado.

O desempenho fiscal de maio recoloca em evidência o imenso desafio da equipe econômica para equilibrar o orçamento e cumprir as metas de sustentabilidade do arcabouço fiscal.

O peso da Previdência

De acordo com os dados detalhados pelo Tesouro Nacional, o principal vetor para o saldo negativo continua sendo o persistente descompasso nas contas da Previdência Social. A antecipação do pagamento do décimo terceiro salário para aposentados e pensionistas do INSS concentrou uma fatia significativa dos desembolsos do governo federal ao longo do mês de maio, inflando a linha de despesas obrigatórias.

Por outro lado, o lado das receitas apresentou um comportamento resiliente, impulsionado pela arrecadação de impostos sobre o consumo e o setor de serviços, o que ajudou a evitar um rombo ainda maior no balanço mensal.

“O resultado de maio não traz grandes surpresas para quem acompanha a trajetória fiscal do país, pois já estava precificado. Contudo, ele serve como um lembrete rígido de que a busca pelo déficit zero exige um esforço constante de controle de gastos e de eficiência na arrecadação, especialmente diante de um cenário de juros altos”, avalia um economista especializado em contas públicas.

O olhar do mercado e metas fiscais

Analistas de agências de classificação de risco e estrategistas de investimentos reforçam que, embora o resultado tenha vindo “dentro do esperado”, o segundo semestre exigirá maior rigor do governo federal.

O foco dos investidores está voltado para as próximas revisões bimensais de receitas e despesas. Para garantir a credibilidade das regras fiscais vigentes e acalmar as projeções de inflação e juros, o Palácio do Planalto precisará demonstrar se as medidas de contenção de gastos anunciadas serão suficientes para estabilizar a trajetória da dívida pública bruta em relação ao PIB nos próximos anos.

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Igor Alves
Sobre o autor

Igor Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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