Meteorologia

Combinação entre El Niño e aquecimento global pode intensificar eventos extremos no Brasil, explica meteorologista

Especialista afirma que o retorno do El Niño ocorre em um planeta mais quente do que nas últimas décadas, aumentando o potencial para secas, chuvas intensas e ondas de calor. Cenário exige atenção para os próximos meses, especialmente em regiões mais vulneráveis.

A combinação entre o El Niño e o aquecimento global pode tornar os eventos climáticos extremos ainda mais intensos nos próximos meses. Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, em entrevista à CNN Brasil, o cenário atual é considerado “ímpar” porque o fenômeno climático ocorre em um momento em que a temperatura média do planeta já está significativamente elevada em razão das mudanças climáticas causadas pela ação humana.

De acordo com o especialista, o El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo. No entanto, desta vez ele atua sobre um planeta que já registra recordes de calor, o que pode potencializar seus impactos. Segundo Alexandre Nascimento, “a combinação entre um El Niño e um planeta aquecido é ímpar”, tornando mais difícil prever a intensidade dos efeitos climáticos.

No Brasil, a expectativa é de que o fenômeno provoque chuvas acima da média na Região Sul, aumentando o risco de temporais, enchentes e deslizamentos de terra. Ao mesmo tempo, a Amazônia e parte das regiões Norte e Nordeste poderão enfrentar redução das chuvas, favorecendo períodos de seca, queimadas e níveis mais baixos dos rios. Já o Centro-Oeste e parte do Sudeste tendem a registrar temperaturas acima da média e ondas de calor mais frequentes.

O meteorologista destacou que o El Niño, sozinho, já altera significativamente o clima global, mas os efeitos tornam-se mais preocupantes quando somados ao aquecimento global. Segundo ele, a atmosfera mais quente consegue reter maior quantidade de vapor d’água, aumentando a energia disponível para tempestades intensas e, ao mesmo tempo, agravando episódios de estiagem em regiões naturalmente mais secas.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também monitora a evolução do fenômeno e aponta uma probabilidade superior a 90% de que o El Niño permaneça ativo até o início de 2027, com possibilidade de atingir intensidade forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. Caso esse cenário se confirme, os impactos poderão ser sentidos em diferentes setores da economia, como agricultura, geração de energia, abastecimento de água e transporte.

Para Alexandre Nascimento, o momento exige preparação por parte dos governos e da população. O especialista ressalta que o desafio não está apenas na ocorrência do El Niño, mas na interação entre um fenômeno climático natural e um planeta cada vez mais aquecido, condição que pode ampliar a frequência e a intensidade de eventos extremos nos próximos meses.

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

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