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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) vão se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar as negociações comerciais entre os dois países.
A reunião, que ainda terá data definida pelas equipes, foi acertada após uma conversa telefônica de uma hora e 20 minutos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump na sexta-feira (21). O Ministério do Desenvolvimento confirmou ter recebido contato do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, após o telefonema.
A retomada das tratativas cria um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Argumentos dos EUA e defesa do diálogo
Segundo o Palácio do Planalto, a conversa entre Lula e Trump ocorreu de forma cordial. O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para as tarifas são infundadas.
Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.
Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial. Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.
Cooperação contra crime organizado
Além das tarifas, Lula e Trump discutiram segurança e cooperação no combate ao crime organizado. O presidente brasileiro defendeu uma atuação conjunta dos dois países e afirmou que as organizações criminosas exercem pressão sobre populações vulneráveis, mas não devem ser equiparadas a organizações terroristas.
Lula apresentou ações adotadas pelo Brasil para combater essas estruturas, incluindo medidas de asfixia financeira que resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões. Entre as iniciativas citadas estão a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.
Trump, segundo o Planalto, manifestou disposição para ampliar a cooperação e afirmou que indicará integrantes de alto escalão para dar continuidade às tratativas.
Conflitos internacionais
Os presidentes também trataram das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, os dois defenderam a necessidade de uma solução negociada. Lula criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante dos conflitos internacionais e sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão.
Durante a conversa, Trump abordou as perspectivas do governo norte-americano para o conflito com o Irã. Ao defender a busca por soluções diplomáticas, Lula afirmou: “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.
Fonte:
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Itamaraty

