|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD) , pediu desculpas públicas após a divulgação de um vídeo gravado em maio de 2025 em que sugere que uma paciente fosse submetida a uma laqueadura sem o seu conhecimento. A gravação foi feita durante a inauguração da UTI do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste pernambucano, e revelada pelo portal Metrópoles no domingo (20).
O que diz o vídeo
Nas imagens, uma funcionária do hospital relata à governadora o caso de uma gestante que já teria sete filhos [4†L13-L15]. Ao ouvir o relato, Raquel Lyra responde: “Aí, a gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí, a gente bota na fila da laqueadura”. Em seguida, após uma fala inaudível da interlocutora, a governadora acrescenta: “Mas faz sem ela saber”.
A mulher mencionada na conversa não aparece nas imagens. Não há, nas informações divulgadas até o momento, qualquer indicação de que a paciente tenha sido submetida ao procedimento sem consentimento.
O pedido de desculpas
Ainda no domingo (20), Raquel Lyra publicou um vídeo nas redes sociais reconhecendo a autoria da fala e pedindo desculpas.
“Como mãe e como mulher, eu sei o desafio que é decidir sobre planejamento familiar. Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres. Por isso, eu peço desculpas, foi uma fala equivocada, eu não tenho compromisso com o erro” , declarou.
Na segunda-feira (21), durante sabatina do Sindhospe, a governadora voltou a se manifestar:
De maneira alguma aquilo se trata de quem sou, o que faço ou pratico. Fiz uma fala equivocada, errada, e, quando vi o vídeo gravado há alguns anos na cidade de Garanhuns, eu me indignei comigo mesma e peço desculpas por isso”
Na segunda-feira (21), durante sabatina do Sindhospe, a governadora voltou a se manifestar: “De maneira alguma aquilo se trata de quem sou, o que faço ou pratico. Fiz uma fala equivocada, errada, e, quando vi o vídeo gravado há alguns anos na cidade de Garanhuns, eu me indignei comigo mesma e peço desculpas por isso”.
A governadora também relacionou a repercussão ao calendário eleitoral, afirmando que a divulgação seria “mais uma tentativa de desviar o verdadeiro foco do debate”.
Reações e Protestos
Reações e protesto
A fala gerou protesto em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no Recife, na tarde de segunda-feira (21) [12†L14-L16]. A mobilização, divulgada como suprapartidária, reuniu movimentos feministas, centrais sindicais e candidatas da oposição.
O candidato João Campos (PSB) , principal adversário de Raquel na disputa pelo governo de Pernambuco, classificou a fala como “violência” e “crime previsto em lei” . “Fazer ‘sem ela saber’ não é cuidado. É violência. É crime previsto em lei” , escreveu nas redes sociais.
O candidato Ivan Moraes (PSOL) afirmou que “o corpo de uma mulher não deve ser propriedade do Estado” e cobrou explicações da governadora.
A organização SOS Corpo publicou nota de repúdio classificando a fala como “esterilização compulsória” e afirmando que ela “revela um pensamento controlista e tutelador sobre o corpo das mulheres, sobretudo das mulheres negras e pobres”. A Secretaria Nacional de Mulheres do PSB também divulgou nota de repúdio.
Referências
Revista Fórum — Após repercussão de vídeo em que sugere laqueadura sem consentimento, Raquel Lyra pede desculpas.
[2] O Povo — Raquel Lyra se desculpa após vídeo sobre laqueadura em mulher.
JC — Raquel Lyra pede desculpas por fala sobre laqueadura sem consentimento: ‘Foi equivocada’.
A Tarde — Governadora sugere laqueadura sem consentimento: “Faz sem ela saber”.
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens de veículos de imprensa sobre a divulgação de um vídeo gravado em maio de 2025, no qual a governadora Raquel Lyra sugere que uma paciente fosse submetida a laqueadura sem o seu conhecimento. Não há informação de que a mulher mencionada tenha sido submetida ao procedimento sem consentimento. A fala da governadora é um fato documentado e reconhecido por ela própria, que pediu desculpas públicas. As críticas de adversários e as notas de repúdio de organizações da sociedade civil são reações políticas e não constituem conclusão judicial sobre a conduta da governadora. A legislação brasileira exige manifestação expressa da vontade para a esterilização cirúrgica, e o descumprimento pode configurar crime. O Hospital Regional Dom Moura e a Secretaria Estadual de Saúde não responderam aos questionamentos sobre a paciente citada. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

