A França registrou cerca de mil mortes acima do esperado durante a intensa onda de calor que atinge a Europa, informou a agência de saúde pública do país neste domingo (28). A maioria das vítimas tem 65 anos ou mais, e as autoridades alertam que o número real de óbitos deve aumentar à medida que mais dados sejam coletados, especialmente sobre mortes em instituições de longa permanência e residências particulares.
A agência Santé Publique detalhou que a contagem preliminar se refere principalmente à semana passada, no auge da onda de calor recorde, que começou em 20 de junho. Na quarta-feira (24), dia de temperaturas mais altas, foram registradas mais de 1.200 mortes. Nos dois dias seguintes, esse número ultrapassou 1.400 mortes por dia. Em abril e maio, antes da onda de calor, a taxa de mortalidade diária girava entre 900 e 1.000 óbitos. A agência indicou que 85% das mortes adicionais envolveram pessoas com 65 anos ou mais.
Cientistas associam fenômeno às mudanças climáticas
Cientistas afirmaram que a onda de calor, iniciada em 20 de junho, foi a pior já registrada na Europa, região onde o clima está mudando mais rapidamente do que a média global. Estudo da World Weather Attribution concluiu que o calor e a umidade recordes não teriam sido possíveis sem as mudanças climáticas. O nível de calor teria sido praticamente impossível há apenas cinco décadas e, hoje, a probabilidade de ocorrer é 200 vezes maior do que há 20 anos.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou na plataforma X que “150 milhões de pessoas estão vivendo sob calor extremo, centenas morreram, escolas estão fechadas e as redes de energia estão entrando em colapso”. Ele acrescentou que “impulsionado pelas mudanças climáticas, o fenômeno da onda de calor ‘que ocorre uma vez por geração’ agora está se repetindo quase anualmente”.
Transtornos em transportes e infraestrutura
O calor extremo causou danos à infraestrutura em vários países. Na Alemanha, a superfície de concreto de rodovias rachou, e a operadora ferroviária Deutsche Bahn emitiu alerta para que se evitasse viagens de trem desnecessárias. Mais de 600 passageiros foram evacuados de um trem superaquecido em Brandemburgo após uma árvore cair sobre uma linha de alta tensão. Em Leipzig, os bondes deixaram de circular devido aos danos causados pelo calor nos trilhos.
Na Itália, o fluxo do rio Pó diminuiu, permitindo que a água do mar avançasse até 18 km para o interior, gerando temores para a agricultura e para zonas úmidas protegidas. A usina nuclear de Paks, na Hungria, provavelmente precisará reduzir a produção devido à alta temperatura do rio Danúbio, usado como líquido de resfriamento.
Tempestades e incêndios florestais
O calor extremo foi seguido por fortes tempestades em várias regiões. Na França, tempestades causaram cortes de energia em 36 mil residências no norte e no centro do país. Na Suécia, várias pessoas ficaram feridas após serem atingidas por um raio em um parque de diversões.
Na Alemanha, incêndios florestais se alastraram em florestas contaminadas com munições da Segunda Guerra Mundial, dificultando o trabalho dos bombeiros. Na Grécia, a agência de Proteção Civil emitiu alerta de “risco muito elevado de incêndios” para cinco regiões. Na Dinamarca, o calor extremo foi seguido por tempestades que registraram 1.156 raios.
A ministra da Saúde da França, Stephanie Rist, afirmou que o impacto da onda de calor poderia persistir por até 10 dias após o abrandamento das condições climáticas. Embora o calor extremo tenha diminuído na maior parte do país, algumas áreas do nordeste ainda permanecem sob alerta.


