Brasil

Nos EUA, Ramagem diz que extradição “não acontecerá”

Por Stephanie Paixao • 6 de julho de 2026

O ex-deputado federal cassado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, afirmou neste domingo (5), durante entrevista à CNN Brasil nos Estados Unidos, que acredita que não será extraditado para o Brasil e que pretende retornar ao país apenas após as eleições presidenciais de 2026. Atualmente, Ramagem aguarda a análise de um pedido de asilo político apresentado às autoridades norte-americanas.

A declaração foi dada no estado de Nova Jersey, momentos antes da partida entre Brasil e Noruega. Segundo Ramagem, ele permanece nos Estados Unidos porque considera que está seguro enquanto aguarda a conclusão do processo migratório

“A extradição não vai acontecer”

Questionado sobre o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro, Ramagem demonstrou confiança de que a medida não será aceita pelas autoridades norte-americanas. Segundo ele, tramitam simultaneamente dois processos: o pedido brasileiro de extradição e seu pedido de asilo político nos Estados Unidos.

Durante a entrevista, o ex-parlamentar afirmou:

“Eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa. Tentaram me deportar clandestinamente.”

Ramagem não apresentou provas para sustentar a acusação de tentativa de deportação clandestina. Ao ser perguntado quando pretende retornar ao país, Ramagem associou sua volta ao resultado das eleições presidenciais de 2026, segundo ele:

“Com essa luta, vamos virar 2027, com Flávio Bolsonaro, e a gente volta para o Brasil.”

A declaração faz referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como o nome do grupo político para disputar a Presidência da República.

Condenação pelo STF

Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado. A condenação ocorreu no processo que investigou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Entre os crimes pelos quais foi condenado estão: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ramagem nega todas as acusações e afirma que o processo possui motivação política.

Segundo a investigação da Polícia Federal, Ramagem deixou o Brasil pela fronteira entre Roraima e a Guiana logo após sua condenação pelo STF, apesar de estar proibido de sair do país. Em seguida, entrou nos Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático. Desde então, é considerado foragido da Justiça brasileira, e o governo brasileiro formalizou um pedido de extradição às autoridades norte-americanas. Além da condenação criminal, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decretou a perda de seu mandato por faltas consecutivas durante o período em que permaneceu fora do país.

Prisão pelo ICE: Em 13 de abril de 2026, Ramagem foi preso em Orlando, na Flórida, por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). A detenção ocorreu porque seu visto havia expirado em 7 de março, deixando sua permanência em situação migratória irregular. Dois dias depois, ele foi liberado sem pagamento de fiança e permaneceu em território americano enquanto aguarda a decisão sobre seu pedido de asilo político.

Durante a entrevista, Ramagem voltou a negar a existência de uma tentativa de golpe de Estado e afirmou que as investigações tiveram como objetivo enfraquecer politicamente o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Inventaram essa farsa do golpe, inventaram crimes contra nós todos para acabar com o segmento político de direita e encarcerar o Jair Messias Bolsonaro.” afirmou Ramagem.

As declarações refletem a posição de defesa do ex-diretor da Abin e não representam entendimento da Justiça brasileira, que já o condenou no âmbito da ação penal relacionada à trama golpista.

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

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