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Lula reúne Haddad, Durigan, Galípolo e Alckmin para discutir dívida

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Dívida pública passou de 82% do PIB no atual governo, alta de cerca de dez pontos percentuais; cada conselheiro deve apresentar visão diferente sobre como enfrentar o problema.

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Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan- Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve reunir na manhã desta quinta-feira (5) no Palácio da Alvorada um grupo de conselheiros de sua confiança para discutir os rumos da economia no quarto mandato [1]. A ideia é encontrar caminhos que preservem os benefícios sociais, mudem a trajetória da dívida pública e atraiam investidores estrangeiros interessados em soluções ambientais e geológicas [1].

Segundo a coluna, foram chamados o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o atual ministro, Dario Durigan, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o vice-presidente Geraldo Alckmin [1]. O ex-ministro Guido Mantega também quer ser ouvido, entre outros conselheiros [1].

Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL) [1]. A dívida pública passou de 82% do PIB no atual governo, uma alta de cerca de dez pontos percentuais ao longo do mandato [1].

Qual é a visão de cada conselheiro?

Cada conselheiro deve chegar à mesa com uma visão diferente sobre como enfrentar o problema [1].

Dario Durigan — que assumiu a Fazenda quando Haddad saiu para disputar o governo de São Paulo — tem sido aconselhado por economistas mais ortodoxos [1]. O ministro está preocupado com o crescimento das despesas e defende ajustes mais complexos e de longo prazo nas contas públicas, com medidas graduais, porém consistentes [1]. Ele também enxerga potencial nos investimentos estrangeiros como alavanca para o crescimento e tem “ojeriza” a qualquer medida que possa ser interpretada como controle de capitais [1]. A avaliação na Fazenda é que um sinal nessa direção afastaria os investidores que o governo pretende atrair [1].

Gabriel Galípolo — deve defender um Banco Central independente e autônomo, a continuidade da meta de inflação e a posição do mercado financeiro tradicional, que cobra disciplina fiscal e sinais concretos de controle dos gastos como condição para a queda dos juros [1]. Como a taxa básica pesa diretamente sobre o custo da dívida, a avaliação do Banco Central é considerada decisiva para qualquer estratégia de estabilização [1].

Fernando Haddad — defende a junção dos benefícios sociais em um novo desenho [1]. Ainda como ministro, em fevereiro, ele propôs uma nova arquitetura para os gastos assistenciais, com a unificação de programas nos moldes do que foi feito em 2003, quando iniciativas dispersas foram reunidas no Bolsa Família [1].

Geraldo Alckmin — defende levar para Brasília a mesma fórmula que aplicou no governo de São Paulo [1]. Como governador, ele tratou o ajuste fiscal como tarefa permanente, com contingenciamento do Orçamento logo no início de cada gestão, corte de despesas de custeio, redução de cargos comissionados e revisão de contratos, preservando ao mesmo tempo a capacidade de investimento do Estado [1]. Para Alckmin, o governo federal precisa dar o primeiro exemplo antes de pedir sacrifícios a outros setores, cortando gastos supérfluos e os supersalários do funcionalismo [1]. O vice também pretende rever o fundo eleitoral e as emendas parlamentares, que consomem uma fatia crescente do Orçamento e reduzem a margem do Executivo para investir [1].

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Guido Mantega — representa a ala desenvolvimentista do PT [1]. O ex-ministro sustenta que o principal problema da economia brasileira está na política monetária, que ele já classificou como irracional, e não no excesso de gastos [1]. Na visão dele, os juros altos encarecem a dívida, travam o investimento produtivo e limitam o crescimento, que seria o melhor caminho para reequilibrar as contas [1]. Mantega comandou a Fazenda entre 2006 e 2014, período em que defensores de sua gestão lembram que a dívida líquida caiu de 49% para 33% do PIB [1].

Qual é a aposta do governo?

Além do ajuste das contas, o governo quer usar a transição energética e os recursos minerais, como as terras raras, como vitrine para o capital estrangeiro [1]. A aposta é que investimentos em energia limpa, preservação ambiental e mineração estratégica tragam dólares, crescimento e arrecadação sem pressionar o Orçamento [1].

Na reunião, Lula deve, como costuma fazer nesses encontros, mais ouvir do que falar, sobretudo porque está poupando a voz para a gravação do pronunciamento [1].

O que acontece agora?

A reunião ocorre nesta quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada [1]. A reportagem procurou o Palácio do Planalto, a Fazenda, o Banco Central e as assessorias dos conselheiros citados para posicionamento adicional, mas não obteve resposta até o fechamento. O texto não afirma que houve decisão ou acordo na reunião; registra as informações de bastidores e as diferentes visões dos conselheiros.

Referências

[1] Metrópoles — Lula pede ajuda de Haddad, Durigan, Galípolo e Alckmin contra a dívida. Disponível em: https://www.metropoles.com/colunas/matheus-leitao/lula-pede-ajuda-de-haddad-durigan-galipolo-e-alckmin-contra-a-divida

[2] Palácio do Planalto — Informações sobre a agenda presidencial. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/

[3] Ministério da Fazenda — Informações sobre a dívida pública. Disponível em: https://www.gov.br/fazenda/

[4] Banco Central — Informações sobre a política monetária. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/

Nota editorial

O que foi confirmado: A reunião no Palácio da Alvorada e os nomes dos convidados (Haddad, Durigan, Galípolo e Alckmin) foram divulgados pela coluna [1]. A informação de que Guido Mantega também quer ser ouvido consta na reportagem [1]. O dado sobre a dívida pública (82% do PIB) e a alta de cerca de dez pontos percentuais no mandato foram registrados [1]. As visões de cada conselheiro são descritas com base em informações de bastidores e declarações públicas [1]. A informação sobre a reeleição de Lula com 51,75% dos votos consta no texto [1].

O que depende de versões: As descrições das posições de cada conselheiro (Durigan ortodoxo, Galípolo defensor da autonomia do BC, Haddad favorável à unificação de benefícios, Alckmin ajuste fiscal permanente, Mantega desenvolvimentista) são baseadas em informações de bastidores e declarações públicas, não em documentos oficiais [1]. A avaliação de que Durigan tem “ojeriza” a controle de capitais é uma descrição da coluna [1]. A informação de que Mantega “já classificou” a política monetária como irracional é uma referência a declarações anteriores, não uma citação direta no texto [1].

O que não foi possível verificar: O Arena Remix não teve acesso à pauta oficial da reunião nem a documentos que confirmem as posições de cada conselheiro. Não foi possível confirmar de forma independente se a reunião ocorreu ou quais foram as conclusões. A reportagem procurou o Planalto, a Fazenda, o Banco Central e as assessorias, mas não obteve resposta adicional até o fechamento. O texto não afirma que houve decisão ou acordo; registra as informações de bastidores e as diferentes visões dos conselheiros.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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