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Brasil

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em cenário de 2º turno, aponta Quaest

Por Stephanie Paixao • 13 de maio de 2026
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Nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana mostra um cenário de forte polarização na disputa presidencial. Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que registra 41%.

A diferença está dentro da margem de erro da pesquisa, configurando empate técnico. O resultado chama atenção porque indica um cenário mais apertado do que em levantamentos anteriores envolvendo nomes ligados ao bolsonarismo.

A pesquisa ocorre em meio ao avanço das discussões sobre a sucessão presidencial e ao reposicionamento de grupos políticos diante da possibilidade de inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Nesse contexto, nomes próximos ao ex-presidente começam a aparecer como alternativas dentro do campo conservador.


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
11 de fevereiro de 2026. REUTERS/Mateus Bonomi TPX IMAGENS DO DIA
Senador Flávio Bolsonaro
13 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado/Foto de arquivo

Lula aparece com 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 41% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um empate técnico, uma vez que a margem de erro é de 2 pontos percentuais. Na pesquisa Genial/Quaest de abril, Lula tinha 40% e Flávio 42%.

Em simulação de primeiro turno, Lula aparece com 39% (eram 37% em abril) e Flávio Bolsonaro com 33% (32% na pesquisa anterior). Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) estão empatados com 4%, seguidos por Renan Santos (Missão), com 2%; Augusto Cury (Avante) com 1%; Cabo Daciolo (Mobiliza) com 1% e Samara Martins (UP), também com 1%.

APROVAÇÃO DO GOVERNO LULA

A aprovação do governo Lula foi a 46% em maio, ante 43% em abril, enquanto a desaprovação está em 49%, ante 52% na pesquisa anterior. Foi o primeiro crescimento da aprovação desde dezembro de 2025.

Os que avaliam o governo Lula como positivo são 34%, contra 31% no mês anterior, ao passo que 39% o consideram negativo, ante 42% em abril.

A pesquisa também apurou o que os entrevistados acharam do encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, no qual trataram de tarifas, minerais críticos e cooperação contra o crime organizado, entre outros assuntos.

Para 43% Lula saiu mais forte, 26% consideram que ele saiu mais fraco e 13% acreditam que vai ser igual. A maioria das pessoas, 60%, acha que a reunião é boa para o Brasil, enquanto 18% consideram ruim e 10% nem bom nem ruim.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os ⁠dias 8 e 11 de maio.

Polarização segue dominando cenário político

O levantamento reforça um padrão observado nas últimas eleições brasileiras: a permanência da polarização entre lulismo e bolsonarismo como principal eixo da disputa nacional.

Mesmo diante de desgaste político, crises econômicas e mudanças no cenário institucional, os dois campos continuam concentrando grande parte do eleitorado.

No caso de Flávio Bolsonaro, o desempenho também sugere transferência significativa do capital político ligado ao sobrenome Bolsonaro, ainda altamente competitivo em parcelas do eleitorado conservador.


Cenário ainda é inicial

Apesar da repercussão, analistas políticos apontam que o cenário eleitoral ainda está distante da definição final. Pesquisas realizadas anos antes da eleição costumam medir:

  • força de recall político
  • rejeição
  • capacidade de transferência de votos
  • consolidação de grupos ideológicos

Além disso, fatores como economia, aprovação de governo, alianças partidárias e decisões judiciais podem alterar significativamente o quadro até o período eleitoral.


O que o resultado sinaliza

Mais do que prever um vencedor, o levantamento ajuda a medir o atual equilíbrio de forças políticas no país.

Os números indicam:

  • manutenção da divisão do eleitorado
  • dificuldade de surgimento de uma terceira via competitiva
  • continuidade da influência do bolsonarismo mesmo sem Jair Bolsonaro diretamente na disputa

Ao mesmo tempo, mostram que Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma base eleitoral consolidada, capaz de sustentar competitividade mesmo diante de desgaste natural de governo.

*Reuters/Stéphanie Paixão