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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (6) que problemas “reais e graves” do Judiciário estão sendo misturados com “interesses eleitorais e econômicos, objetivos estrangeiros e até ódios pessoais”. A declaração ocorre em meio à escalada da crise institucional na Corte, com pedidos de investigação cruzados entre ministros.
Em publicação nas redes sociais, Dino citou uma frase atribuída ao dramaturgo grego Ésquilo: “Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. “Tenho visto isso no atabalhoado debate sobre o Poder Judiciário”, escreveu.
Questionamento sobre inquéritos
Sem citar nominalmente o presidente do STF, Edson Fachin, Dino questionou a possibilidade de um julgador “prometer” o fim de um inquérito “como se fosse um candidato ou para receber aplausos”. A manifestação ocorreu dois dias após Fachin defender publicamente o encerramento do inquérito das fake news como uma das medidas para pacificar a crise.
O inquérito das fake news foi aberto em 2019, na gestão de Dias Toffoli, para apurar ataques, ameaças e notícias falsas contra o STF e seus integrantes [8]. Sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, a investigação vem sendo prorrogada sucessivamente e acumula controvérsias sobre seu formato, abrangência e duração.
“Eu pessoalmente sou a favor da conclusão dos inquéritos, até porque eles foram feitos para terminar mesmo, mediante a propositura das ações penais ou dos arquivamentos cabíveis”, afirmou Dino. Ele acrescentou: “De todo modo, temos aí um interessante debate doutrinário: antes do prazo prescricional, um inquérito deve ser arquivado por motivo de tramitação longa? E quem decide o que é ‘tramitação longa’? Opiniões pessoais? Ou critérios legais e regimentais?”.

Defesa das decisões monocráticas
O ministro também rebateu críticas às decisões monocráticas no STF. Segundo ele, elas são “essenciais em um sistema de precedentes vinculantes”. “Se todas as questões com jurisprudência definida tiverem que ir aos Colegiados, o número de julgamentos vai desabar e a morosidade vai aumentar. Isso seria bom para os criminosos, devedores contumazes e similares”, escreveu
Sobre a proposta de retirar a jurisdição penal do STF, Dino afirmou que a mudança precisa ser planejada. “Se tira de lá, tem que colocar em algum lugar”, disse, lembrando que a Corte tem cerca de 23 mil processos, enquanto outros tribunais têm “centenas de milhares”
Ao finalizar a publicação, Dino afirmou:
“Insisto em um ponto: institucionalidade é um assunto muito sério para ser embaralhado com interesses eleitorais ou com mentiras”. Citou ainda um versículo bíblico: “lembro o ensinamento cristão: o DIABO é o ‘pai da mentira’ (Evangelho de São João 8,44)”
Contexto da crise
A crise no STF escalou na última semana [3]. Na terça-feira (1º), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou 52 mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Na quinta-feira (3), Moraes pediu a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, dentro do inquérito das fake news. Na sexta-feira (4), Fachin retirou o pedido do inquérito e abriu um procedimento em separado.
Fachin também afirmou que a resposta do Supremo à crise passa por três medidas: a aprovação de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça. O presidente da Corte deu prazo até sexta-feira (11) para que Moraes, Mendonça, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal prestem informações.
No domingo (6), Mendonça liberou o caso envolvendo Moraes para julgamento no Plenário do STF. A decisão sobre quando o julgamento ocorrerá cabe a Fachin.
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Referências
G1 — Flávio Dino sobre crise no STF: ‘Problemas reais e graves estão sendo misturados com interesses eleitorais’.
O Globo — Sem citar Fachin, Dino questiona plano de encerrar inquéritos “muito antigos”, como o das fake news.
SBT News — Sem citar Fachin, Dino questiona fim de inquéritos no STF.
O Globo — Prorrogação indefinida de inquéritos pode abrir espaço para desvio de foco e arbitrariedades, avaliam juristas.
Folha de S.Paulo — Dino questiona promessa de fim de inquérito das fake news, sem citar Fachin. Disponível em
Revista Fórum — A resposta de Flávio Dino a Edson Fachin após defesa do fim do inquérito das fake news.
Nota editorial:
As informações relatadas nesta matéria refletem a declaração pública do ministro Flávio Dino, publicada em suas redes sociais em 6 de setembro de 2026, e os desdobramentos da crise institucional no Supremo Tribunal Federal. A fala de Dino não menciona nominalmente o presidente da Corte, Edson Fachin, mas ocorre em resposta ao contexto das medidas propostas por ele. Os pedidos de investigação entre ministros estão em fase inicial de análise e não há, neste momento, conclusão sobre a existência de irregularidades.

