Com MetrôCPTM
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu, em assembleia realizada na noite desta terça-feira (4), manter a greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM por tempo indeterminado. A paralisação, iniciada à 0h de hoje, afeta o transporte de aproximadamente 1 milhão de passageiros na Região Metropolitana de São Paulo.
Reivindicações e negociações
A categoria reivindica a garantia formal, por escrito, da manutenção dos empregos de 4.700 funcionários da CPTM após o processo de concessão das linhas à iniciativa privada. O sindicato afirma que, apesar das reuniões realizadas ao longo do dia com representantes do governo estadual e da CPTM, não houve uma garantia concreta sobre a estabilidade dos postos de trabalho.Além da manutenção dos empregos, os ferroviários pedem a reestatização definitiva dos ramais e o apoio do governo ao Projeto de Lei (PL) nº 730/2025, que prevê a absorção de funcionários da estatal por outros órgãos públicos após privatizações.
Impactos no transporte e plano de contingência
A greve causou superlotação e transtornos em todo o sistema de transporte da capital. Pela manhã, a cidade registrou picos de congestionamento superiores a 720 km após a suspensão do rodízio municipal de veículos.O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos, sob pena de multa diária de R$ 400 mil. O governo de São Paulo informou que as linhas concedidas (7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda) e a Linha 10-Turquesa operam normalmente, assim como todo o sistema metroviário.
Contexto operacional e político
A paralisação ocorre poucas semanas após a CPTM reassumir temporariamente a operação das três linhas por um período de 90 dias. A decisão foi tomada pela gestão estadual após falhas graves e um incêndio em um vagão registrados nos primeiros dias de gestão plena da concessionária Trivia Trens, que havia vencido o leilão de concessão.O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou o movimento nas redes sociais, classificando a greve como “instrumentalização política” em ano eleitoral e afirmando que o governo está aberto ao diálogo, mas não aceitará o que chamou de “baderna”.
Uma nova Assembleia Geral está convocada para esta quarta-feira, 5 de agosto, às 17h. Os trabalhadores devem avaliar o andamento das negociações e decidir se mantêm ou encerram a paralisação. Até o momento, não há previsão de novas propostas oficiais por parte do governo do Estado.

