O lar, que deveria ser sinônimo de segurança, tornou-se o cenário mais perigoso para as mulheres brasileiras. Entre 2023 e 2025, o Brasil assistiu a um crescimento contínuo e alarmante nos casos de feminicídio — assassinatos motivados puramente pela condição de gênero. O ano de 2025 fechou como o mais letal desde que o crime foi tipificado em 2015, com 1.568 vítimas confirmadas, uma média de 4,3 mortes por dia.
O Retrato da Violência: Quem são as vítimas?
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) desenham um perfil trágico e recorrente. A violência tem cor, idade e endereço:
– Raça e Interseccionalidade: 64% das mulheres mortas em 2025 eram negras, evidenciando como o racismo estrutural potencializa a vulnerabilidade feminina.
– Juventude Interrompida: Sete em cada dez vítimas tinham entre 18 e 44 anos.
– O Inimigo Mora ao Lado: Em 97% dos casos, o assassino foi um parceiro ou ex-parceiro. Além disso, 64% dos crimes ocorreram dentro da própria residência da vítima.

A Interiorização do Crime
Ao contrário do que se possa imaginar, o perigo não está restrito às metrópoles. Atualmente, 50% dos feminicídios ocorrem em cidades com até 100 mil habitantes. Estados como Acre, Mato Grosso do Sul e Rondônia lideram o ranking de letalidade por 100 mil habitantes, revelando a fragilidade das redes de proteção em regiões mais afastadas dos grandes centros.
“O aumento de 34% nas tentativas de feminicídio em 2025 mostra que a letalidade só não é maior porque houve intervenção ou falha na execução, mas o desejo de morte está presente e crescente”, alerta o relatório.
O Gargalo da Proteção
Um dos pontos mais sensíveis da análise é a falha do Estado em proteger quem já pediu ajuda. Em 2025, 13,1% das vítimas possuíam uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) ativa no momento em que foram assassinadas. O dado questiona a efetividade da fiscalização atual e a capacidade de resposta das forças de segurança diante do descumprimento dessas ordens.
Justiça e Novas Leis: A Esperança em 2026
Apesar do cenário sombrio, o sistema judiciário tenta acelerar o passo. Em 2025, houve um aumento de 17% nos julgamentos de feminicídio.
No campo legislativo, duas mudanças recentes prometem endurecer o cerco contra os agressores:
– Lei nº 14.994/2024: Aprimorou o tratamento jurídico-penal, tornando as penas mais rigorosas.
– Uso de Tornozeleiras (Abril/2026): Nova lei determina o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para agressores em situações de risco.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e Órgãos Oficiais.
Gráfico: Evolução do Feminicídio no Brasil (2023-2025)

Um Desafio Civilizatório
O Brasil chega a 2026 com o desafio de transformar leis em proteção real. Especialistas afirmam que apenas o aumento de penas não basta; é necessário investir em educação de gênero nas escolas, acolhimento psicossocial e fiscalização efetiva.
A luta contra o feminicídio não é apenas uma questão de segurança pública, mas um compromisso de toda a sociedade para que o gênero de uma pessoa nunca mais seja sua sentença de morte.














