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Brasilia 20 de agosto de 2026.
Em um daqueles dias mágicos em que o Judiciário brasileiro parece operar com a precisão e a poesia de um relógio suíço ajustado por um alinhamento astrológico, o Supremo Tribunal Federal nos presenteou com mais um capítulo do romance nacional: A Régua Flexível.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), tomada por um repentino e elogiável apego ao cumprimento estrito dos limites constitucionais, acordou com uma certeza inabalável: o foro privilegiado é uma dádiva muito valiosa para ser desperdiçada com meros mortais. Assim, pediu com carinho que as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva — o famoso “Lulinha” — deixem o imponente prédio da Praça dos Três Poderes e desçam as escadas rumo à humana e terrena Primeira Instância.
Afinal, alegam os ilustres procuradores, o rapaz não carrega cargo público. Carrega apenas o sobrenome do Presidente da República. E convenhamos: desde quando um sobrenome dá direito a holofotes tão altos? (Por favor, não respondam a essa pergunta resgatando históricos recentes).
A Física Quântica do Foro Privilegiado
Enquanto o sobrenome da esquerda é gentilmente convidado a pegar o elevador de serviço e descer para o andar de baixo da Justiça comum, o ar condicionado do Supremo opera a todo vapor para calibrar a balança política:
O Prenome desce, o Sobrenome sobe: Num passe de mágica institucional, o tribunal afrouxa os laços de uns e aperta as algemas de outros, provando que a Justiça brasileira não é cega — ela apenas possui visão seletiva com lentes multifocais.
A Régua de Dois Lados: Para uns, a estrita observância das regras de competência e a rápida remessa para juízes de piso; para outros, o rigor máximo, a urgência máxima e a permanência sob a iluminação direta dos holofotes do STF.
O fórum é o mesmo, a lei é a mesma, mas a gravidade do STF parece atuar de forma diferente dependendo do peso do CPF ou da cor do espectro político.”
O Milagre da Coerência Variavelmente Ajustada.
É fascinante observar como a PGR e as instâncias superiores descobrem a “falta de competência” com a mesma facilidade que encontram “motivos de sobra” para manter a jurisdição quando a conveniência exige.
Se você faz parte da ala que comemora a descida de Lulinha para a primeira instância como um “triunfo do devido processo legal”, ou se você enxerga no mesmo movimento uma manobra tática de blindagem e alívio do STF, parabéns: você entendeu o Brasil.
Aqui, a régua não serve para medir a altura do réu, mas sim para ajustar a altura da fasquia de acordo com quem está saltando. E enquanto o carrossel dos tribunais gira, a plateia segue aplaudindo, vaiando e, acima de tudo, tentando entender em qual instância a coerência foi arquivada.

