|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou que Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), negociou em 2023 a liberação de emendas parlamentares com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, condenado em fevereiro deste ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) .
Segundo os diálogos obtidos pela PF, o contato da assessora no telefone de Calixto estava salvo como “Fafá Flávio Bolsonaro”. Em novembro de 2023, o miliciano enviou uma mensagem a Maria de Fátima: “Amiga não esquece do Ifop não, vê se o Senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto”. A assessora respondeu: “Reforça o pedido com o senador” .
Para os investigadores, as trocas de mensagens evidenciam que a assessora atuava como “interlocutora direta de Robson Calixto no gabinete senatorial” .
O destino dos recursos
O montante de R$ 199 mil foi enviado por Flávio a um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio de Janeiro. A entidade fica no bairro Taquara, área de influência do ex-deputado Chiquinho Brazão e do conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Domingos Brazão — ambos condenados a 76 anos e 3 meses de prisão como mandantes da morte de Marielle .
A PF apura se os recursos foram desviados para o grupo miliciano. Além do Ifop, a investigação também mira o envio de cerca de R$ 400 mil** para o município de **Barra do Piraí (RJ)**. O valor total, repassado via emenda a uma organização alvo de investigação, seria de **R$ 599.128,00 .
O que diz Flávio Bolsonaro
Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que os repasses foram feitos “dentro da lei” e seguiram “critérios técnicos do Ministério do Esporte”. A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados .
“A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei” , diz a nota.
O que dizem os demais citados
A reportagem procurou o advogado de Robson Calixto, Gabriel Habib, mas não obteve resposta. Cleber Lopes, que representa Chiquinho Brazão, disse que não se manifestaria. A defesa de Domingos Brazão informou que não cuida do tema relacionado a emendas .
A investigação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Se comprovado o desvio, os envolvidos podem responder por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O caso também pode ter impacto na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que é candidato pelo PL.
Referências
Folha de S.Paulo — Assessora de Flávio Bolsonaro negociou liberação de emendas com miliciano condenado no caso Marielle.
CNN Brasil — Assessora de Flávio negociou emenda com condenado em caso Marielle.
Estadão — Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano condenado no caso Marielle.
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem diálogos obtidos pela Polícia Federal no âmbito de investigação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e reportagens publicadas pela Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Estadão. Os diálogos e a apuração da PF não constituem, por si só, prova de desvio de recursos ou de participação de Flávio Bolsonaro em irregularidades. O senador afirma que o repasse seguiu critérios técnicos e que a responsabilidade pela execução é da entidade beneficiária. A defesa de Robson Calixto não se manifestou. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

