6×1: Novo Ministro Da Fazenda avisa que não irá a CCJ falar sobre a Pec
A CCJ estava à espera do novo Ministro da Fazenda, Dario Durigan, para marcar uma audiência para se discutir sobre a PEC.
Segundo informações da matéria de Igor Gadelha, publicada em 7 de abril de 2026 no Metrópoles, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, não comparecerá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para falar sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da escala de trabalho 6×1.
A informação foi confirmada pelo presidente do colegiado, Leur Lomanto Júnior (União-BA). Segundo ele, o Ministério da Fazenda enviou um e-mail comunicando que o ministro não participará da audiência na CCJ. A PEC em discussão trata da proposta ao fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos com direito a um dia de descanso. A proposta tem sido tema de debate no Congresso Nacional.
De acordo com o relato, o motivo apresentado pela pasta é que Durigan prefere participar da comissão especial que analisará a PEC, etapa posterior à CCJ dentro da tramitação da proposta na Câmara dos Deputados. O relator da proposta na CCJ, Paulo Azi (União-BA), comentou a ausência do ministro. Ele indicou que gostaria de ouvir o titular da Fazenda antes de avançar com seu posicionamento sobre a proposta.
A Comissão de Constituição e Justiça é responsável por analisar a admissibilidade das propostas, verificando se estão de acordo com a Constituição Federal. Caso a PEC seja considerada admissível, o texto segue para uma comissão especial, onde o mérito será discutido. A decisão do ministro ocorre no contexto da tramitação da proposta na Câmara. Mesmo sem sua participação na CCJ, o andamento da PEC não foi interrompido.
Com isso, a expectativa é que a discussão sobre o tema continue nas próximas etapas do processo legislativo, incluindo a comissão especial, onde o ministro indicou que pretende participar.
Contexto e evolução da PEC da escala 6×1

A proposta de mudança na escala de trabalho ganhou força no Congresso a partir de debates mais amplos sobre qualidade de vida, produtividade e direitos trabalhistas. A PEC busca alterar um modelo tradicional do mercado brasileiro, especialmente presente em setores como comércio e serviços.
Uma das principais vozes nesse debate recente é a deputada Erika Hilton, que passou a defender publicamente mudanças na jornada de trabalho. Em 2024 e 2025, o tema ganhou maior repercussão nas redes sociais e no meio político, ampliando a pressão por uma revisão do modelo 6×1. A proposta, no entanto, não surgiu de forma isolada. Ela se conecta a discussões históricas sobre redução da jornada de trabalho, tema já debatido em diferentes momentos no Brasil e em outros países. A ideia central é equilibrar produtividade econômica com bem-estar do trabalhador.
Ao longo da tramitação, a PEC passou por ajustes e discussões técnicas. Parlamentares têm buscado calibrar o texto para evitar impactos negativos em setores que dependem de operação contínua, ao mesmo tempo em que tentam atender às demandas por melhores condições de trabalho. Entre os pontos debatidos estão possíveis modelos alternativos de jornada, escalas mais flexíveis e formas de implementação gradual da mudança. Essas adaptações fazem parte do processo de “lapidação” da proposta dentro do Congresso Nacional.
Outro fator relevante é o impacto econômico. Especialistas apontam que alterações na jornada de trabalho podem influenciar custos operacionais, níveis de emprego e produtividade. Por isso, o tema também envolve o Ministério da Fazenda, mesmo que, neste momento, o ministro tenha optado por participar apenas da fase de discussão de mérito.
O peso político da discussão
A PEC da escala 6×1 deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e passou a ocupar espaço estratégico no cenário político. Isso porque o tema dialoga diretamente com a rotina da população e tem forte apelo social.
Além disso, a tramitação ocorre em um contexto em que o governo federal e o Congresso buscam protagonismo sobre pautas de impacto direto na sociedade. A escolha de quando e onde participar do debate — como no caso do ministro da Fazenda — também faz parte dessa dinâmica política.
A expectativa agora se concentra nas próximas etapas da tramitação. Caso avance na CCJ, a proposta seguirá para comissão especial, onde será debatida de forma mais aprofundada. É nesse momento que ajustes finais costumam ser feitos antes de eventual votação em plenário.
O episódio envolvendo a ausência do ministro na CCJ, longe de encerrar o debate, reforça que a discussão sobre o fim da escala 6×1 ainda está em construção. Entre ajustes técnicos, pressões políticas e demandas sociais, a proposta segue sendo moldada dentro do Congresso.
No fim das contas, o que está em jogo vai além da jornada de trabalho: trata-se de um redesenho das relações entre produtividade, economia e qualidade de vida no Brasil — um debate que ainda promete novos capítulos nos próximos meses.

