Geopolítica

Trump diz que ‘chegou a hora de a Ucrânia ter um novo presidente’ após Zelensky criticar acordo sobre diesel com a Rússia

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Presidente americano afirma que Zelensky 'quer criar problemas para o mundo' e sugere que ucranianos escolham 'um novo líder que possa chegar a um acordo'; Ucrânia está sob lei marcial desde 2022, o que suspende eleições; UE critica acordo e prepara novo pacote de sanções contra Moscou

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O que Trump disse

Em declaração a repórteres do lado de fora da Casa Branca, neste sábado (10), Trump afirmou que Zelensky “quer criar problemas para o mundo” ao continuar autorizando ataques a refinarias russas .

“É melhor ele parar imediatamente” , disse Trump, antes de sugerir que a Ucrânia deveria “ter um novo líder que possa chegar a um acordo” .

Foto de Trump falando a repórteres do lado de fora da Casa Branca. Crédito: Reprodução Redes Sociais

O acordo sobre o diesel

Trump confirmou na sexta-feira (9) que foi firmado um acordo com Moscou para suspender as sanções às exportações russas de diesel até 7 de abril do próximo ano .

Nos termos do acordo, a Rússia liberaria inicialmente 300 mil toneladas de diesel “para o mercado americano e global”, seguidas por mais 500 mil toneladas em novembro . Mais um milhão viria a seguir, escreveu Trump no Truth Social, e depois outros 3 milhões de toneladas “em um curto período de tempo” — mas ele observou que essa entrega dependerá “das condições de suas refinarias de diesel” .

O preço médio do diesel nos EUA está atualmente em US$ 6,28 por galão** — um aumento em relação à média de **US$ 5,94 do mês passado e de US$ 3,68 do ano passado .

O presidente ucraniano reagiu com indignação ao anúncio. Ele chamou a medida de “um presente para o presidente russo” , que equivale a “um investimento em uma guerra que deve ser encerrada, não prolongada” .

Em publicação nas redes sociais, Zelensky disse que a Rússia retribuiria o dano causado ao diesel com “mais terror” . Ele também acusou Moscou de interpretar o acordo “como uma permissão para continuar lutando, para continuar bombardeando cidades” , após os novos e mortais ataques em Zaporizhzhia .

“Contamos com o apoio incondicional dos Estados Unidos à nossa defesa da vida, à nossa defesa do povo ucraniano – e com um diálogo igualmente firme entre os Estados Unidos e a Rússia. Um diálogo firme, não fraco” , escreveu ele .

Donald Trump e Vladimir Putin se encontraram no Alasca no ano passado – Andrew Harnik/Getty Images

A reação de Zelensky

O presidente ucraniano reagiu com indignação ao anúncio. Ele chamou a medida de “um presente para o presidente russo” , que equivale a “um investimento em uma guerra que deve ser encerrada, não prolongada” .

Em publicação nas redes sociais, Zelensky disse que a Rússia retribuiria o dano causado ao diesel com “mais terror” . Ele também acusou Moscou de interpretar o acordo “como uma permissão para continuar lutando, para continuar bombardeando cidades” , após os novos e mortais ataques em Zaporizhzhia .

“Contamos com o apoio incondicional dos Estados Unidos à nossa defesa da vida, à nossa defesa do povo ucraniano – e com um diálogo igualmente firme entre os Estados Unidos e a Rússia. Um diálogo firme, não fraco” , escreveu ele .

A resposta da Rússia

O enviado de Putin, Kirill Dmitriev, descreveu a intervenção de Trump como “icônica e histórica” , afirmando que a Ucrânia “precisa de uma liderança verdadeiramente focada na paz” .

Putin afirmou posteriormente que a Rússia, que impôs uma proibição às exportações de diesel no início deste ano , estava disposta a fornecer petróleo e derivados tanto para os mercados dos EUA quanto para os mercados globais, mas sua declaração não especificou quantidades .

A reação da União Europeia

A notícia do acordo também foi recebida com críticas pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, que concordou com Zelensky ao afirmar que a suspensão das sanções “fornece a Moscou mais recursos para financiar a guerra” .

“Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará” , disse Kallas .

Ela afirmou que os ministros das Relações Exteriores europeus pretendem aprovar na segunda-feira o maior pacote de sanções contra a Rússia desde o início da invasão da Ucrânia .

O contexto político

O acordo com a Rússia é a mais recente tentativa de Trump de reduzir os preços dos combustíveis nos EUA antes das eleições de meio de mandato, após meses lidando com as consequências políticas da guerra com o Irã . Esse conflito, que começou em fevereiro, fez com que o preço da gasolina e, em particular, do diesel disparasse, o que prejudicou sua imagem perante o público americano .

Desde a invasão russa à Ucrânia em 2022, o país está sob lei marcial, o que significa que as eleições estão suspensas . Trump já havia pedido novas eleições na Ucrânia em dezembro passado, afirmando que os eleitores ucranianos deveriam ter a opção de substituir Zelensky .

Referências

BBC News Brasil — ‘Chegou a hora de a Ucrânia ter um novo presidente’, diz Trump após Zelensky condenar acordo sobre diesel com a Rússia. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5y43vvk2m4mo.amp

BBC News Brasil — Trump anuncia acordo com Putin para liberar diesel russo para mercado mundial. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwkgjre7r6z1o.amp

Nota editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens da BBC News Brasil, publicadas em 10 e 11 de outubro de 2026, com base em declarações de Donald Trump, Volodymyr Zelensky, Vladimir Putin e autoridades europeias. As declarações dos líderes são posições políticas e não constituem conclusão sobre o andamento da guerra ou sobre a validade do acordo. Os detalhes sobre o que a Rússia receberá em troca do acordo não foram esclarecidos pela Casa Branca . A Ucrânia está sob lei marcial desde 2022, o que suspende as eleições no país. O impacto do acordo sobre os preços dos combustíveis permanece incerto , segundo analistas. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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