A sabedoria popular sempre nos ensinou a ler as letras miúdas. Contudo, no grande teatro da economia brasileira, a verdadeira armadilha não se esconde no rodapé do contrato; ela vem estampada em garrafais na manchete, mascarada com a roupagem benevolente da assistência social.
A saga do endividado começou com o Desenrola 1.0. Apresentado com pompa e luzes de emergência, o programa surgiu como o salvador da pátria, prometendo cortar os nós cegos dos juros astronômicos. Para o cidadão sufocado por cartões e boletos atrasados, a oferta soou como um ato de misericórdia. Na prática, foi um grande resgate moral e financeiro: os bancos limparam o lixo de seus balanços com garantias públicas, e o devedor ganhou um fôlego curto para continuar consumindo
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