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Dos 32 senadores em exercício que concorreram à reeleição, 18 perderam. O resultado atingiu parlamentares com longa trajetória no Congresso e influência na distribuição de recursos federais para seus estados.
Weverton Rocha (PDT-MA) teve cerca de R$ 67,4 milhões em emendas pagas em 2026**, o maior valor entre os derrotados. **Renan Calheiros (MDB-AL)** aparece logo depois, com **R$ 66,8 milhões.
Ciro Nogueira (PP-PI) teve aproximadamente R$ 60,3 milhões pagos**; **Carlos Fávaro (PSD-MT)** , **R$ 58,1 milhões; e Angelo Coronel (PSD-BA) , R$ 57,4 milhões.
A lista dos que não conseguiram renovar o mandato inclui ainda Randolfe Rodrigues (PT-AP) , Leila Barros (PDT-DF) , Fabiano Contarato (PT-ES) , Marcos do Val (Podemos-ES) , Vanderlan Cardoso (PSD-GO) , Eliziane Gama (PSD-MA) , Carlos Viana (Podemos-MG) , Soraya Thronicke (Podemos-MS) , Zequinha Marinho (Podemos-PA) , Zenaide Maia (PSD-RN) , Chico Rodrigues (PSB-RR) , Sergio Petecão (PSD-AC) e Esperidião Amin (PP-SC) .
Somados, os 18 derrotados tiveram R$ 1,154 bilhão empenhados** e **R$ 866,8 milhões pagos ao longo de 2026. Entre os 14 reeleitos, foram cerca de R$ 900,5 milhões empenhados** e **R$ 712,9 milhões pagos.
A comparação entre derrotados e reeleitos

A comparação ocorre em meio ao crescimento da influência do Congresso sobre o Orçamento federal e do peso das emendas na relação dos parlamentares com suas bases eleitorais. Os recursos financiam obras, serviços, equipamentos e transferências para estados e municípios e se tornaram uma das principais ferramentas à disposição de deputados e senadores para levar investimentos aos seus redutos.
O caso do Amapá
O Amapá reúne alguns dos exemplos mais claros do contraste entre o volume de recursos destinados ao estado e o resultado das urnas.
Em julho de 2024, o estado liderava o país em emendas pagas por habitante. Eram R$ 393 milhões**, equivalentes a **R$ 535 por morador. No fechamento daquele ano, terminou em segundo lugar nacional, atrás apenas de Roraima. Em 2025, outros R$ 314 milhões** haviam sido empenhados até setembro, ou **R$ 389,41 por habitante.
O estado é a principal base política do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) , e de Randolfe Rodrigues (PT-AP) , líder do governo Lula no Congresso.
Só em 2026, as emendas individuais de Alcolumbre tiveram aproximadamente R$ 66 milhões pagos**. As de **Randolfe** somaram **R$ 37,8 milhões.
A capacidade de levar recursos federais ao estado também foi explorada eleitoralmente. Durante a campanha, o site de Randolfe atribuía à atuação do senador R$ 1,4 bilhão em investimentos destinados ao Amapá e destacava que os recursos haviam chegado aos 16 municípios.
Randolfe, porém, terminou a disputa pelo Senado na terceira colocação, com 18,55% dos votos. Rayssa Furlan (Podemos) foi eleita com 29,98%, e Lucas Barreto (PSD) conquistou a segunda vaga, com 24,22%.
A eleição também atingiu outros candidatos apoiados pelo grupo de Alcolumbre. Na disputa pelo governo, Dr. Antônio Furlan (PSD) recebeu 62,75% dos votos e derrotou o governador Clécio Luís (União Brasil) , que buscava a reeleição e terminou com 36,97%. Allyne Serrão (União Brasil) , apoiada por Alcolumbre para o Senado, ficou em quinto lugar, com 9,68%.
A derrota ocorreu justamente em um estado no qual a capacidade de obter recursos federais havia se tornado parte importante do discurso político de seus principais representantes em Brasília.
O resultado do Amapá reforça o retrato encontrado no levantamento nacional. Em 2026, senadores que chegaram às urnas com volumes semelhantes de emendas tiveram destinos diferentes: dos 32 que buscavam permanecer na Casa, 18 terminaram a eleição sem um novo mandato.
Referências
ICL Notícias — Senadores que perderam reeleição tiveram R$ 867 milhões em emendas pagas em 2026.
Tribunal Superior Eleitoral — Resultados das eleições 2026.
Senado Federal — Portal da Transparência de Emendas Parlamentares.
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem o levantamento do ICL Notícias, publicado em 6 de outubro de 2026, com base em dados oficiais de emendas parlamentares e nos resultados das eleições de 2026. O volume de emendas não constitui, por si só, irregularidade nem comprova relação direta com o resultado das urnas — o levantamento compara os valores destinados por senadores derrotados e reeleitos. Os dados de emendas são públicos e podem ser consultados no Portal da Transparência do Senado Federal. Os resultados eleitorais são oficiais do TSE. A análise sobre a relação entre emendas e derrota eleitoral é interpretativa e não uma conclusão causal. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

