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O ex-jogador Robinho, preso desde março de 2024 para cumprir pena de 9 anos por estupro coletivo ocorrido na Itália em 2013, obteve desde 2025 um total de 301 dias de redução em sua pena. Desse montante, 20 dias foram remidos especificamente pela leitura de cinco livros durante o período de encarceramento. As informações constam de decisões judiciais e foram detalhadas em reportagem publicada neste domingo (20).
Robinho está atualmente no Centro de Ressocialização (CR) de Limeira (SP) , unidade para réus primários, com penas menores de dez anos e não ligados a facções criminosas. Ele foi transferido para o local em novembro de 2025, após pedido da defesa, deixando a Penitenciária 2 de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”.
As obras lidas e seus estilos

O que dizem os especialistas
O professor e doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp, Alexandre Mauro Bragion, analisa que as obras apresentam perfis distintos. “Tristão e Isolda” atua como um mito do ideal de amor, uma paixão impossível pautada no sofrimento amoroso. Já “Capitães da Areia” é um romance social de denúncia sobre meninos delinquentes em Salvador. “A Invenção de Hugo Cabret” apresenta um caráter mais filosófico, existencialista e voltado a questões sobre tempo e memória.
Bragion ressalta que a literatura é fundamental como arte e conhecimento, mas faz um adendo para casos de detentos com crimes como os que incriminaram Robinho. Ele sugere a inclusão de obras que dialoguem com a violência contra a mulher e o papel do feminino, citando autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves.
A professora e doutora em Literatura pela Unicamp, Josiane Maria de Sousa, questiona a expectativa criada em torno da leitura para pessoas condenadas. “A literatura não faz nem uma coisa e nem outra [moralizar ou punir]. Me faz lembrar do tempo quando se tentava castigar alunos indisciplinados com horas na biblioteca”. Ela enfatiza que a leitura é relevante, mas “não opera milagres sozinha” e que o desenvolvimento do pensamento crítico exige uma longa formação da competência leitora.
Como funciona a remição por leitura

A remição de pena por leitura é prevista na Lei de Execução Penal (LEP) e regulamentada por resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Cada livro lido e avaliado pode reduzir 4 dias da pena, com um limite de 12 obras por ano, totalizando até 48 dias anuais. O detento precisa apresentar uma resenha ou participar de uma avaliação sobre o conteúdo da obra.
No caso de Robinho, a Justiça considerou que ele realizou 464 horas de estudos referentes ao ensino médio e concluiu 11 cursos na prisão. Isso garantiu o abatimento de 49 dias. Os outros 20 dias foram remidos pela leitura de cinco livros. Ambas as decisões tiveram o aval do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) .
Histórico das reduções
- 14 de janeiro de 2026: a Justiça reduziu a pena em 160 dias, por trabalho e estudos realizados na prisão.
- Setembro de 2026: nova redução de 72 dias, motivada por atividades de trabalho, qualificação profissional pelo Senai, estudos no sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e leitura de obras literárias. A Justiça não considerou cursos à distância nessa decisão.
- Total acumulado: 301 dias de redução desde 2025.
O Centro de Ressocialização de Limeira
O CR de Limeira foi inaugurado em 2001. Atualmente, a população no regime fechado é de 119 presos, com capacidade para 104. No regime semiaberto, são 139 presos em espaço para 125. A unidade é considerada mais tranquila por especialistas em sistema carcerário, com mais vagas de trabalho e presos selecionados. A maioria dos detentos vem da região, em um raio de até dez quilômetros da unidade.
Robinho cumpre pena de 9 anos de prisão por estupro coletivo ocorrido em 2013, na Itália. A transferência da pena para o sistema prisional brasileiro foi determinada pela Justiça italiana e homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2024. A previsão é que ele permaneça em regime fechado pelo menos até 2027, antes da possibilidade de progressão.
Referências Jornalísticas
G1 — De mito celta sobre amor impossível a literatura de denúncia social: os livros lidos por Robinho para reduzir pena na prisão.
[2] G1 — Robinho tem pena reduzida em mais 72 dias pela Justiça após trabalho, estudos e leitura de obras literárias.
[3] G1 — Robinho obteve três reduções de pena por trabalho e estudos em menos de um ano; relembre.
[4] G1 — Robinho tem pena reduzida em 160 dias pela Justiça após estudos e trabalho em centro de ressocialização de Limeira.
Referências Jurídicas
Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) — Art. 126. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7210.htm
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — Recomendação nº 44/2013, que dispõe sobre a remição de pena pela leitura. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2013/07/recomendacao_44_2013.pdf
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem decisões judiciais proferidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e reportagem do G1, com base em documentos do processo de execução penal. A remição de pena por leitura é um mecanismo previsto na Lei de Execução Penal e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça. A quantidade exata de dias remidos por leitura e o número de obras lidas foram confirmados nas decisões judiciais citadas. As análises dos especialistas em literatura são opiniões técnicas e não representam posição institucional. O Centro de Ressocialização de Limeira e a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não se manifestaram diretamente sobre os detalhes da matéria. A reportagem não teve acesso ao teor integral das resenhas ou avaliações produzidas por Robinho sobre as obras.

