RIO DE JANEIRO, 8 Mai (Reuters) – A renda média mensal do brasileiro alcançou um patamar recorde em 2025, atingindo R$3.367, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este avanço, que representa um aumento de 5,4% em relação a 2024, marca o maior valor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. O crescimento é um reflexo direto da melhoria significativa no mercado de trabalho, que registrou taxas de desemprego em mínimas históricas e uma elevação na ocupação.
O rendimento médio mensal real de todas as fontes, que engloba tanto o trabalho quanto outras origens de renda, demonstrou uma recuperação robusta pós-pandemia. Em comparação com o período pré-pandemia de 2019, o rendimento médio de 2025 foi 8,6% superior, e 12,8% maior do que o observado em 2012. Essa trajetória de crescimento consistente, iniciada em 2022, solidificou-se em 2025, com quatro anos consecutivos de expansão dos rendimentos no país.
Mercado de Trabalho em Ascensão
O mercado de trabalho foi o principal motor desse crescimento. Em 2025, 47,8% da população residente no Brasil tinha rendimento habitual do trabalho, um aumento de 0,7 ponto percentual em relação a 2024. Esse dado sublinha a importância crescente do emprego formal e informal na composição da renda familiar. A massa de rendimento mensal real de todos os trabalhos atingiu R$ 361,7 bilhões em 2025, um crescimento real de 7,5% frente a 2024 e de 23,5% em relação a 2019.
A taxa de desocupação anual média caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica em 2012. No trimestre encerrado em dezembro de 2025, a taxa de desocupação atingiu 5,1%, o nível mais baixo já registrado. A população ocupada também alcançou um recorde, com 103 milhões de pessoas em 2025, contra 101,3 milhões em 2024. O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado cresceu 2,8%, chegando a 38,9 milhões de pessoas, o maior da série histórica.

Desigualdade Persistente
Apesar dos avanços na renda e no emprego, a desigualdade social no Brasil permanece um desafio. O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, que mede a concentração de renda, apresentou uma leve elevação, passando de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Embora este valor seja inferior ao pico de 0,543 registrado em 2019, ele indica que a distribuição de renda ainda é altamente concentrada. Os 10% mais ricos da população detinham 40,3% do total da massa de rendimentos domiciliares em 2025, uma parcela superior à dos 70% com os menores rendimentos. Além disso, os 10% com os maiores rendimentos recebiam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% com os menores rendimentos.
Programas sociais do governo, como o Bolsa Família, continuam a desempenhar um papel crucial na mitigação da pobreza, mas a disparidade de renda entre os beneficiários e não beneficiários é notável. O rendimento médio mensal real domiciliar per capita nos domicílios que recebiam o Bolsa Família foi de R$ 774 em 2025, o que corresponde a menos de 30% do rendimento médio daqueles que não recebiam o benefício (R$ 2.682).
Em suma, 2025 foi um ano de conquistas significativas para a renda e o mercado de trabalho brasileiro, com a renda média atingindo um recorde impulsionado pela criação de empregos e formalização. No entanto, a persistência da desigualdade de renda, evidenciada pelo índice de Gini e pela concentração de riqueza, ressalta a necessidade contínua de políticas públicas que promovam uma distribuição mais equitativa dos frutos do crescimento econômico.
Fonte: Reuters – Edição Luiz Gomes.

