Internacional

Presidente do Irã diz na ONU que país não se renderá aos EUA: ‘Nunca nos ajoelharemos’

Masoud Pezeshkian acusa Estados Unidos e Israel de terrorismo, exibe fotos de crianças mortas e do aiatolá Khamenei, e condiciona reabertura do Estreito de Ormuz ao fim das sanções; delegação americana deixa o plenário no início do discurso

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursou nesta quarta-feira (23) na 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e afirmou que seu país “não se renderá” na guerra contra os Estados Unidos, um dia após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar “aniquilar a República Islâmica” caso não se chegue a um acordo para encerrar o conflito.

A delegação dos Estados Unidos deixou o plenário no início do discurso de Pezeshkian. A missão americana na ONU não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursa na Assembleia Geral da ONU 2026  – UN Photo/Loey Felipe

“Nunca baixaremos a cabeça”

Em tom desafiador, Pezeshkian disse que a resiliência do povo iraniano “só aumentará diante das sanções, da crescente pressão e da intimidação cada vez maior”. “Nunca baixaremos a cabeça ou nos ajoelharemos” , declarou. “Sim, eles nos atingiram, mas não nos ajoelhamos” .

Pezeshkian afirmou que o Irã está aberto à diplomacia, mas sem aceitar “a linguagem da força” . “Deve ficar claro para o Sr. Trump e para aqueles que buscam nos intimidar que estamos prontos para o diálogo, a diplomacia e a negociação sem aceitar a linguagem da força”.

Acusações de terrorismo e fotos de crianças

O presidente iraniano acusou Estados Unidos e Israel de terrorismo e de violarem direitos humanos. “Fomos vítimas de terrorismo” , afirmou, referindo-se à ofensiva militar dos EUA e de Israel. “Só nos defendemos. Não somos terroristas. Não atacamos populações civis” .

Pezeshkian exibiu uma fotografia do aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, afirmando que ele foi assassinado “sem qualquer fundamento legal ou motivo” . Também mostrou imagens de crianças mortas em um bombardeio contra uma escola em Minab, no sul do país, atribuído aos EUA.

“Vocês veem essas crianças? Elas pereceram sob bombas e armas utilizadas pelos EUA e por Israel. Elas eram inocentes”.

Programa nuclear e Estreito de Ormuz

Pezeshkian afirmou que o programa nuclear do Irã tem fins estritamente civis e que Teerã não busca desenvolver uma bomba atômica. “O Irã precisa de energia nuclear, não de uma bomba atômica” . “Israel tem bombas nucleares, mas somos nós que somos sancionados”.

Sobre o Estreito de Ormuz, rota que concentrava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito globais antes da guerra, Pezeshkian condicionou a reabertura da navegação à suspensão das sanções contra o Irã. “Não é admissível que todos se beneficiem do Estreito de Ormuz enquanto a nós é negado o acesso à navegação por essa via. O posicionamento permanente de frotas hostis e a expansão da guerra não levarão à paz”.

O presidente iraniano também acusou os EUA de bloquear o transporte marítimo iraniano enquanto trazem mísseis pelo estreito para seus aliados.

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Contexto: guerra de quase sete meses

O discurso de Pezeshkian ocorre em meio à guerra de quase sete meses entre Irã, EUA e Israel, iniciada no fim de fevereiro. Na terça-feira (22), Trump usou a mesma tribuna para defender a guerra, afirmar que impediu Teerã de obter uma arma nuclear e alertar que poderia “aniquilar a República Islâmica” caso não se chegasse a um acordo.

Apesar da tensão, autoridades americanas e iranianas indicaram que negociações indiretas continuam. Trump disse que seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram com autoridades iranianas por cerca de três horas à margem da ONU, em um encontro que descreveu como “muito bom” . O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou a interação por mediação do Catar, mas afirmou que a posição negociadora de Teerã não mudou .

O Irã continua exigindo o fim da guerra, o fim da ação militar americana e do bloqueio naval, e a liberação de ativos iranianos .

Infográfico

Referências

CNN Brasil — Presidente do Irã diz que não se renderá aos EUA em discurso na ONU.

Folha de S.Paulo — Em discurso duro na ONU, Irã acusa EUA e Israel de terrorismo.

O Tempo — Na ONU, Irã alerta Trump que nunca se ‘ajoelhará’ diante dos EUA.

O Povo — Pezeshkian diz na ONU que programa nuclear do Irã é civil e que país não deseja bomba atômica.

AP News — Iran’s president delivers wartime address at UN: We have been ‘victims of terrorism’.

Times of Israel — Iran’s Pezeshkian at UN: We’re open to talk with US without ‘bullying’.

Nota editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem o discurso proferido pelo presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, na 81ª Assembleia-Geral da ONU, em 23 de setembro de 2026, e reportagens de veículos de imprensa que acompanharam o evento. As acusações de terrorismo contra Estados Unidos e Israel são alegações do presidente iraniano, não conclusões de organismos internacionais. A exibição de fotografias de crianças mortas e do aiatolá Ali Khamenei integrou a estratégia retórica do discurso e não constitui prova documental independente. A informação de que o aiatolá Khamenei foi assassinado é uma declaração de Pezeshkian. O programa nuclear do Irã é objeto de controvérsia internacional e a posição oficial iraniana é de que ele tem fins civis. A reabertura do Estreito de Ormuz permanece condicionada a negociações diplomáticas. O espaço para manifestação do governo americano e de outros envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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