Internacional

Nobel da Paz vai para juíza internacional Navi Pillay em recado a Trump e superpotências

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Jurista sul-africana de 85 anos, integrante da Corte Internacional de Justiça, é reconhecida por esforços na promoção da paz e do direito internacional; Comitê Nobel critica sanções dos EUA contra juízes do TPI e afirma que "paz exige justiça"

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Quem é Navi Pillay

Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana durante o regime do apartheid, Pillay construiu uma carreira de décadas dedicada ao direito internacional e aos direitos humanos [2][3].

Ela foi a primeira mulher não-branca a abrir um escritório de advocacia na província de Natal, em 1967, e a primeira mulher não-branca a se tornar juíza da Suprema Corte da África do Sul [5][9]. Em sua trajetória, defendeu Nelson Mandela e outros ativistas anti-apartheid [2][7].

Crescida sob o Apartheid em Durban, Navi Pillay foi a primeira mulher de minoria a integrar um tribunal superior sul-africano
Foto : Frank Boxler / AFP / CP

Pillay presidiu o Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (ICTR) , onde teve papel fundamental em decisões históricas: o reconhecimento de que estupro e violência sexual podem constituir crimes contra a humanidade e atos de genocídio, e a primeira condenação por incitação ao genocídio baseada exclusivamente em propaganda [5][15].

Foi Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 [7][9]. Mais recentemente, presidiu a Comissão Independente de Inquérito da ONU sobre o território palestino ocupado, que concluiu que Israel comete genocídio em Gaza [2][5]. Atualmente, é juíza da Corte Internacional de Justiça no caso em que Myanmar é acusado de genocídio contra a minoria rohingya [2][5].

O recado a Trump e às superpotências

O Comitê Nobel Norueguês foi direto em sua mensagem. “Estamos testemunhando uma mudança em direção à política de poder em detrimento das estruturas jurídicas” , afirmou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes [2].

“Os juízes — aqueles que guardam a tênue linha entre a ordem e o caos — são muito merecedores de nosso reconhecimento. Mas hoje, quando esses mesmos juízes sofrem sanções e suas instituições são atacadas, precisamos de pessoas com coragem, visão e determinação” , declarou [2][3].

A referência é à decisão do governo Trump de sancionar 13 juízes e promotores do Tribunal Penal Internacional (TPI) , incluindo sua presidente, Tomoko Akane [1][17]. Os EUA também retiraram o país de dezenas de organizações internacionais e Trump chegou a chamar o TPI de “instituição descontrolada e falida” [1].

“Um mundo que opera sem o Estado de Direito é injusto, insensato e desumano. A paz exige justiça” , afirmou o Comitê [2].

A brincadeira sobre dividir o prêmio

Ao receber a notícia em Nuremberg, na Alemanha, onde participava de um fórum jurídico, Pillay fez uma piada sobre a insistência de Trump em também querer o prêmio. Em vídeo gravado pela secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, ela declarou:

“Se vocês baterem palmas um pouco mais, posso dividir este prêmio com Trump” [4][5][6].

“Sendo advogada e juíza, ainda quero verificar isso” , brincou, referindo-se à incredulidade com a notícia [9][10].

Trump havia declarado na véspera que merecia o prêmio por supostamente ter encerrado oito guerras, e que seria um “grande descrédito” ao Comitê não premiá-lo [6][8].

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que Pillay “encarou a brutalidade da injustiça e nunca desviou o olhar” [9]. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Turk, disse que o prêmio é “uma vitória coletiva para os direitos humanos” [5].

A presidente do TPI, Tomoko Akane, que está entre os sancionados por Trump, afirmou que a premiação tem “significado particular em um momento de sérios desafios ao Estado de Direito” [1].

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Referências

[1] Yonhap (Coreia do Sul) — Nobel Committee selects ‘anti-Trump’ figure for Peace Prize. Disponível em: https://www.yna.co.kr/view/AKR20261009060000009

[2] ICL Notícias — Nobel da Paz vai para juíza internacional, em recado a Trump e superpotências. Disponível em: https://iclnoticias.com.br/nobel-vai-para-juiza-internacional-em-recado-a-trump-e-superpotencias/

[3] RTP (Portugal) — Nobel da Paz atribuído à sul-africana Navanethem “Navi” Pillay. Disponível em: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/nobel-da-paz-atribuido-a-sul-africana-navanethem-navi-pillay_n1770598

[4] Central News Agency (Taiwan) — 南非法官皮萊獲諾貝爾和平獎. Disponível em: https://www.cna.com.tw/news/aopl/202610090218.aspx

[5] Australian Broadcasting Corporation — 2026 Nobel Peace Prize awarded to Judge Navi Pillay. Disponível em: https://www.abc.net.au/news/2026-10-09/nobel-peace-prize-2026-winner-judge-navi-pillay/107249984

[6] Bangkok Post — South African judge Navi Pillay wins Nobel Peace Prize. Disponível em: https://www.bangkokpost.com/world/3334349

[7] Agência Brasil — Nobel da Paz é concedido à jurista sul-africana Navi Pillay. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-10/nobel-da-paz-e-concedido-jurista-sul-africana-navi-pillay

[8] The Mirror — Judge Navi Pillay beats Donald Trump to win Nobel Peace Prize 2026. Disponível em: https://www.mirror.co.uk/news/world-news/navi-pillay-nobel-peace-prize-37752689

[9] BBC — Nobel Peace Prize live: Navi Pillay wins. Disponível em: https://www.bbc.co.uk/news/live/ck5yng9zz8pyt

[10] Yonhap (Coreia do Sul) — Nobel laureate Pillay jokes about sharing prize with Trump. Disponível em: https://www.yna.co.kr/view/AKR20261009057400108

Nota Editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens da Agência Brasil, RTP, ABC News, Bangkok Post, BBC, The Mirror, Yonhap e Central News Agency, publicadas em 8 e 9 de outubro de 2026. A interpretação de que o prêmio é um “recado a Trump” é uma análise baseada nas declarações do Comitê Nobel e no contexto das sanções dos EUA ao TPI, não uma afirmação oficial do Comitê. Pillay não comentou diretamente a política de Trump além da piada sobre dividir o prêmio. O governo americano não se manifestou sobre a premiação até a publicação desta reportagem. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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