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Os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, acumulam uma série de decisões que favoreceram o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao longo de 2026. O levantamento reúne medidas que bloquearam investigações, mantiveram sigilos, suspenderam pesquisas eleitorais e censuraram conteúdos críticos ao senador, muitas delas tomadas em momentos estratégicos da corrida presidencial.

André Mendonça e a blindagem no caso “Dark Horse”
O ministro André Mendonça é relator de investigações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro bancada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Suas decisões nesses casos foram decisivas para Flávio Bolsonaro.
Manutenção do sigilo sobre o “Dark Horse”
Em 10 de setembro de 2026, Mendonça liberou o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Banco Master, mas manteve fechado o processo que apura o financiamento do filme “Dark Horse“, no qual Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
A decisão de manter o sigilo foi criticada por aliados do governo e por advogados que acompanham o caso. Em reportagem da Revista Fórum, o blog do jornalista Rovai destacou que, “mesmo com nova decisão envolvendo o caso Master, André Mendonça continua com margem para decidir sobre diligências e a liberação de informações do caso Dark Horse” e que o ministro “pode liberar informações aos poucos, pode não liberar nada e pode deixar a eleição passar para que Flávio Bolsonaro chegue ao outro lado do processo praticamente como entrou”.
Abertura de inquérito sobre Flávio
Em 11 de setembro de 2026, Mendonça retirou o sigilo de um inquérito que incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso “Dark Horse“. A medida, embora tenha tornado pública a investigação, veio apenas após pressão de outros ministros e da imprensa, e ocorreu a menos de um mês do primeiro turno.
O Estadão registrou que, “apesar de Mendonça ter tornado públicas as investigações sobre o Master, as apurações que atingem Flávio Bolsonaro permanecem sob sigilo”.
A defesa de Flávio tentou levar o caso para Mendonça
A defesa de Flávio Bolsonaro pediu pelo menos quatro vezes ao STF que as investigações sobre o “Dark Horse” saíssem do gabinete do ministro Flávio Dino e passassem para as mãos de André Mendonça. A informação foi revelada pelo Correio da Amazônia em 12 de setembro de 2026.
Censura a publicações sobre Nossa Senhora Aparecida

Em 25 de setembro de 2026, Mendonça, atuando como vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de 1.125 publicações que associavam Flávio Bolsonaro a um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A ordem alcançou X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.
Mendonça classificou a informação como “notoriamente inverídica” e fixou multa diária de R$ 50 mil por provedor em caso de descumprimento. A decisão foi ampliada posteriormente para 1.674 contas e mais de 2.086 publicações, que somavam 21 milhões de visualizações.
“A retirada individual de links tornou-se insuficiente diante da velocidade de reprodução” , afirmou Mendonça na decisão.

O humorista Antonio Tabet, um dos atingidos, classificou a decisão como censura e argumentou que não associou o projeto a Flávio Bolsonaro em sua publicação.
Kassio Nunes Marques e as decisões no TSE
O ministro Kassio Nunes Marques preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o ano eleitoral de 2026 e acumula uma série de decisões que favoreceram Flávio Bolsonaro.
Suspensão de pesquisa AtlasIntel

Em 8 de junho de 2026, Nunes Marques suspendeu a divulgação de pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontava uma queda de sete pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula.
A pesquisa, publicada em 19 de maio, incluía perguntas sobre o escândalo do Banco Master e reproduzia o áudio da conversa entre Flávio e Vorcaro. O PL alegou que o questionário continha “perguntas indutivas” para gerar uma narrativa negativa contra o senador.
Para Nunes Marques, havia “indícios de contaminação metodológica” , pois 8 das 49 perguntas envolviam diretamente o Banco Master e o áudio vazado. O ministro assumiu recentemente a relatoria de processos ligados a Flávio Bolsonaro e se designou como juiz auxiliar para as eleições de 2026.
“A divulgação do levantamento ocorreu após o vazamento de um áudio de uma conversa do senador pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro” , registrou o G1.
O AtlasIntel afirmou que respeitaria a liminar, mas se disse confiante de que o plenário do TSE “afirmará a robustez técnica e a legalidade do estudo” . A decisão de Nunes Marques foi submetida ao referendo do plenário, que ainda não a analisou em definitivo.
Suspensão de jingle da campanha de Lula

Em 26 de setembro de 2026, Nunes Marques suspendeu a veiculação de um jingle da campanha de Lula que associava Flávio Bolsonaro a suspeitas de rachadinha, ao caso do Banco Master e à compra de imóveis com dinheiro em espécie. O refrão da música era “Foi o Flávio Bolsonaro” .
O jingle citava Daniel Vorcaro, o miliciano Adriano da Nóbrega, os depósitos em dinheiro na loja de chocolates e a compra de 51 imóveis com dinheiro vivo pela família Bolsonaro.
“Tal como reconhecido por esta Corte, a potencialidade lesiva da propaganda não decorre apenas das frases isoladamente consideradas, mas da interação entre o formato empregado – de fácil memorização e ampla repetição – e o contexto comunicacional em que se insere” , escreveu Nunes Marques na decisão.
O ministro argumentou que a propaganda “utiliza o tempo presente para tratar de uma denúncia sobre rachadinha que já foi arquivada” e que não esclarece a origem nem o estágio da investigação da Polícia Federal sobre o suposto pagamento de Vorcaro.
Remoção de vídeo que ligava Flávio ao Banco Master

Em 22 de setembro de 2026, Nunes Marques determinou a remoção, em 24 horas, de um vídeo veiculado no Instagram que associava Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master. O conteúdo foi publicado pelo perfil @lulapelaverdade e mencionava ainda Eduardo Bolsonaro e o filme “Dark Horse” .
O PL acusou os autores da postagem de praticarem “propaganda eleitoral antecipada negativa por meio de desinformação e calúnia” . Nunes Marques considerou que o conteúdo “ultrapassou os limites da crítica política” e determinou que o Instagram entregasse os dados cadastrais e registros de acesso do responsável pela conta.
Ordem para Lula e Planalto apagarem nota crítica
Em 22 de setembro de 2026, Nunes Marques determinou a exclusão imediata de publicações oficiais e pessoais que veiculavam uma nota do Palácio do Planalto com críticas à família Bolsonaro. A nota, divulgada em julho, relacionava a imposição de tarifas econômicas contra o Brasil pela administração de Donald Trump à “ativa colaboração da família Bolsonaro” , classificada como “falsos patriotas” .
A decisão atendeu a ações do Partido Liberal (PL) e do Partido Novo. Nunes Marques exigiu ainda que a Secretaria de Comunicação Social (Secom) prestasse esclarecimentos detalhados, identificando nominalmente todos os servidores envolvidos na redação e aprovação da nota.
“A publicação impugnada contém a identificação oficial da SECOM e, em análise preliminar, ultrapassa o caráter informativo próprio da comunicação institucional, ao incorporar críticas dirigidas a adversários políticos identificados e referência expressa à disputa eleitoral” , avaliou o presidente do TSE.
O contexto das indicações
Tanto Kassio Nunes Marques quanto André Mendonça foram indicados ao STF por Jair Bolsonaro. Nunes Marques foi nomeado em 2020, e Mendonça em 2021. Ambos são considerados aliados do bolsonarismo e, em 2026, ocuparam posições estratégicas na Justiça Eleitoral durante a campanha presidencial.
Nunes Marques assumiu a presidência do TSE em 2025 e se designou juiz auxiliar para as eleições de 2026. Mendonça atuou como vice-presidente do TSE e relator de processos sensíveis envolvendo o Banco Master e o “Dark Horse” .
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou Nunes Marques de ser “parcial” e de favorecer Flávio Bolsonaro no TSE. Em reportagem da Revista Fórum, Lindbergh afirmou que o ministro “decide sempre em favor do candidato do PL” .
“Mendonça atuou em ‘causa própria’ e para impedir investigação de Flávio Bolsonaro” , escreveu o jornalista Jeferson Miola em artigo publicado no Diário do Centro do Mundo.
Linha do Tempo

Referências
G1 — Kassio Nunes Marques determina suspensão de pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro.
Agência Brasil — Atualização: Quebra de sigilo revela cobrança de Flávio por Dark Horse.
Agência Brasil — Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark Horse.
Poder360 — TSE manda redes remover posts sobre Flávio e Nossa Senhora.
Congresso em Foco — Mendonça determina remoção de posts sobre Flávio e Padroeira do Brasil.
Poder360 — Nunes Marques manda suspender jingle de Lula “foi o Flávio Bolsonaro”.
O Globo — Nunes Marques suspende jingle de Lula que liga Flávio Bolsonaro a Vorcaro e rachadinha.
CartaCapital — Nunes Marques dá 24 horas para exclusão de vídeo que liga Flávio Bolsonaro ao Master.
Revista Fórum — Kassio dá ordem para Lula e Planalto apagarem nota crítica ao grupo de Bolsonaro.
Correio da Amazônia — Advogados insistiram para o caso Dark Horse ficar nas mãos de Mendonça; defesa de Flávio Bolsonaro fez 4 pedidos ao STF.
Revista Fórum — Decisão de Fachin ainda blinda Flávio Bolsonaro: quebra de sigilo mandrake.
Estadão — Flávio diz que Mendonça ‘está certo’ em investigação sobre Dark Horse e pede abertura de sigilo.
Revista Fórum — Lindbergh diz que Nunes Marques é “parcial” e favorece Flávio Bolsonaro no TSE.
Diário do Centro do Mundo — Mendonça atuou em “causa própria” e para impedir investigação de Flávio Bolsonaro.
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem decisões oficiais dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, proferidas ao longo de 2026, e reportagens de veículos de imprensa. As decisões são atos processuais que podem ser revertidos pelo plenário de seus respectivos tribunais e não constituem, por si só, prova de favorecimento ilícito ou de parcialidade. A análise de que as medidas “favoreceram” Flávio Bolsonaro é uma interpretação baseada no impacto concreto das decisões sobre a candidatura do senador, não uma conclusão sobre as intenções dos magistrados. As críticas de parlamentares e jornalistas citadas são opiniões e não representam posição institucional. O espaço para manifestação dos ministros e de todos os envolvidos permanece aberto.

