|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Códigos Secretos, Contas “Laranjas” e Facilidade no Pix: Como Criminosos Burlaram a Fiscalização das Redes Sociais para Monetizar a Exploração de Crianças e Adolescentes
Esta reportagem aborda a apuração de esquemas de exploração e abuso sexual infantil no ambiente digital, um tema de alta sensibilidade humana e gravidade jurídica. Alertamos os leitores sobre a natureza forte do conteúdo exposto. Caso você presencie, desconfie ou tenha conhecimento de publicações, grupos ou conteúdos de exploração infantil na internet, denuncie imediatamente à SaferNet Brasil, às autoridades policiais ou pelo canal oficial do Governo Federal (Disque 100). A proteção de crianças e adolescentes é um dever de toda a sociedade.
Uma investigação conduzida pelo portal de notícias g1 revelou uma dinâmica alarmante no ecossistema das redes sociais: criminosos estão utilizando a seção de comentários e publicações no TikTok como “vitrine” para atrair usuários e direcioná-los a canais e grupos do Telegram, onde comercializam material de exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes.
A Estratégia dos Códigos no TikTok
Para burlar os sistemas automatizados de moderação e inteligência artificial do TikTok, os infratores não postam o material explícito diretamente na rede. Em vez disso, utilizam um sistema de códigos, emojis e termos em linguagem cifrada nos comentários e legendas de vídeos populares.
A apuração do g1 acompanhou mais de 30 perfis durante semanas. Ficou evidenciado que as publicações funcionam como uma espécie de “chamariz”, fornecendo links curtos ou nomes de canais fechados no Telegram. Em alguns cenários, a rede criminosa adota táticas de bonificação: usuários recebem acesso gratuito a novos arquivos caso espalhem os links de divulgação em outros vídeos do TikTok, multiplicando exponencialmente o alcance do esquema.

Comercialização no Telegram, Criptomoedas e Pix
Uma vez direcionados ao Telegram, os interessados encontram pacotes de fotos e vídeos com preços acessíveis. Arquivos e acessos a grupos restritos chegam a ser oferecidos por valores que variam de R$ 10 a R$ 35, além de assinaturas vitalícias negociadas em dólares (de US$ 11,99 a .m
As formas de pagamento revelam tanto métodos sofisticados quanto a sensação de impunidade dos agentes envolvidos.

- Criptomoedas: Transações feitas por meio de carteiras virtuais em Bitcoin e Ether para dificultar o rastreamento financeiro internacional
- Pix e Contas de Terceiros: Uso de chaves Pix vinculadas a contas bancárias de “laranjas”, ex-companheiras ou terceiros que, em muitos casos, desconhecem a origem ilícita dos valores. Investigadores da Polícia Federal (PF) apontam que a utilização do Pix expõe a audácia dos criminosos, mas ressaltam que as transações deixam rastros bancários e digitais fundamentais para a identificação dos operadores.
Rastreamento Geográfico e Filtros nas Redef⅝v
De acordo com estimativas de dados públicos agregados (como o portal Tikip.us), a maior parte das contas que disseminam esse conteúdo no TikTok atua com conteúdos em espanhol e português, localizando-se teoricamente em países europeus como Espanha, Portugal e Polônia. No entanto, a plataforma não divulga o IP nem a origem exata dos perfis criados

Testes realizados no Instagram com as mesmas palavras-chave e códigos não retornaram resultados semelhantes aos do TikTok, o que indica que os mecanismos de filtragem e moderação da Meta apresentaram maior rigidez no bloqueio dessas abordagens indiretas.
Empresas, histórico e dados comparativos
O uso de códigos indiretos para burlar moderação não é novo: já foi registrado em outros contextos, com emojis, abreviações e gírias usadas para driblar filtros automáticos. A investigação do g1 mostra como essa estratégia se adapta às regras distintas do TikTok e do Instagram, testes com as mesmas palavras-chave no Instagram não retornaram resultados semelhantes, indicando maior rigidez da Meta.
Faltam dois conjuntos de dados, ainda pendentes de confirmação: números de remoções e banimentos divulgados nos relatórios de transparência de TikTok e Meta, além de notas oficiais das duas empresas sobre os achados da apuração.
Especialistas alertam para armadilha do aliciamento online: ‘O criminoso não precisa começar assustando, pode começar agradando’
Consultado o colunista de Saúde e Bem-Estar do Arena Remix, Léo Oliveira afirma:
“Quando imaginamos alguém tentando explorar sexualmente uma criança ou adolescente, talvez pensemos em uma abordagem agressiva, ameaçadora e evidentemente criminosa. Na realidade, o aliciamento pode começar de maneira muito mais banal: uma mensagem, um elogio, um convite para conversar, uma promessa de oportunidade, uma pessoa que demonstra interesse, alguém que parece compreender aquilo que o adolescente está vivendo.”
Para essa e outros assuntos, leia as Matérias de Léo Oliveira no Portal.
Fontes jornalisticas consultadas:
- Investigação Jornalística Central
- Reportagem investigativa publicada pelo portal g1 (Grupo Globo) em 25 de setembro de 2026
- Monitoramento contínuo de perfis e canais realizado pela equipe de tecnologia do g1.
Fontes Oficiais e Especialistas Citados:
- Polícia Federal (PF): Investigadores que analisam o uso de meios de pagamento digitais (Pix e Criptomoedas) e o uso de contas de terceiros.
- SaferNet Brasil: Entidade de referência na defesa dos direitos humanos na internet, responsável pelo envio recente de relatórios à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) com a indicação de mais de 1.000 contas suspeitas no Telegram
- Legislação Vigente: Constituição Federal (Artigo 227) e Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
- Plataformas de Análise: Plataforma de métricas públicas de contas Tikip.us
Nota da Redação Portal Arena Remix:
O Portal Arena Remix reafirma seu compromisso intransigente com a defesa dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes, com o jornalismo ético e com a segurança no ambiente digital.
- SaferNet Brasil: Denuncie online pelo site denuncie.org.br
Entendemos que o papel da imprensa livre vai além da mera veiculação de fatos: cabe aos veículos de comunicação expor as falhas de moderação das grandes corporações de tecnologia (Big Techs) e cobrar responsabilidade das plataformas que operam em nosso país. A utilização de redes sociais de massa como ferramenta de captação para crimes de abuso e exploração infantil é uma violência inaceitável que exige resposta firme das autoridades policiais, do Poder Judiciário e dos desenvolvedores de tecnologia.
Como denunciar :
- Disque Direitos Humanos: Disque 100 (ligação gratuita e anônima
- SaferNet Brasil: Denuncie online pelo site denuncie.org.br
- Polícia Federal: Denuncie pelo portal oficial da PF ou na delegacia mais próxima.
Equipe de Jornalismo e Conteúdo — Portal Arena Remix
www.portalarenaremixoficial.com.br

