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O que o pacote prevê
A meta de R$ 250 bilhões corresponde a boa parte do esforço estimado por economistas para estancar a trajetória de crescimento da dívida pública bruta. Também é vista por assessores como o sinal necessário para reduzir a percepção de risco no mercado financeiro, aliviar a pressão sobre os juros e estabilizar as contas públicas .
O núcleo do plano mira as maiores rubricas do Orçamento federal :

Pela estratégia em análise, caso haja concessão de aumento real para os trabalhadores da ativa, o reajuste das aposentadorias do INSS e do BPC poderia ser menor ou ficar limitado estritamente à variação do INPC .
A medida preservaria o valor real dos benefícios, respeitando cláusula pétrea da Constituição, mas estancaria o efeito multiplicador do aumento acima da inflação sobre a folha de pagamentos da Previdência. Dos mais de 41 milhões de benefícios pagos pelo INSS, aproximadamente 70% correspondem ao valor do piso nacional .
A “Super PEC da Transição”
Para viabilizar as reformas sem o desgaste do capital político do início do mandato, a estratégia desenhada pela equipe prevê a apresentação de uma “Super PEC da Transição” no Congresso Nacional logo após o resultado das urnas, no intervalo entre a eleição e a posse .
O expediente foi apresentado por Luiz Felipe Trevisan, assessor econômico de Flávio, a membros do Eurasia Group no início de setembro .
A proposta buscaria inverter a lógica da PEC da Transição de 2022, do governo Lula: em vez de expandir licenças para gastos, a medida pretende reduzir despesas em até 2% do PIB. O dispositivo traria um menu composto por cerca de dez medidas, garantindo margem para a negociação parlamentar sobre a composição final do texto .
O que diz a assessoria de Flávio
Procurada, a assessoria de Flávio afirmou que “não se pode transformar conversas informais, interpretação de terceiros ou especulação sobre o cenário econômico em posição oficial de uma candidatura, ocorridas antes mesmo do início do período eleitoral” .
“A orientação econômica da candidatura não é definida por relatos ou ilações de terceiros. Ela está expressa, de forma objetiva e verificável, no plano de governo, onde não constam tais propostas, e nas manifestações públicas feitas ao longo da campanha por Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, Daniella Marques e Adolfo Sachsida [membros da equipe]. Qualquer tentativa de substituir esse conteúdo distorce os fatos e posições reais apresentadas” .
O contexto político
No início deste ano, Flávio afirmou que promoveria um “tesouraço” para equilibrar as contas públicas. Seu coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN) , disse que o atual modelo econômico está “estourando” e que as reformas da Previdência (2019) e trabalhista (2017) seriam “revisitadas” .
Neste momento, no entanto, a campanha baixou o tom das declarações para evitar dar munição à oposição, que pode acusar Flávio de querer cortar direitos. Já o plano de governo oficial do candidato para a área fiscal é vago e ocupa poucas linhas entre as propostas gerais .
O resultado eleitoral de domingo (4) aumentou a força do PL tanto na Câmara quanto no Senado, assim como outras legendas de direita, tornando mais fácil a aprovação desse tipo de medida .
Referências
Jornal de Brasília / Folhapress — Flávio considera mudar correção da Previdência, da saúde e da educação para obter até R$ 250 bi.
ICL Notícias — Flávio considera mudar correção da Previdência, da saúde e da educação para obter até R$ 250 bi.
UOL / Josias de Souza — Seletividade do tesouraço de Flávio entusiasma o mercado.
Folha de S.Paulo — Flávio planeja reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação só pela inflação.
Agenda do Poder — Equipe de Flávio Bolsonaro prevê freio em aposentadorias, BPC, saúde e educação.
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens do Jornal de Brasília, ICL Notícias, UOL, Folha de S.Paulo e Agenda do Poder, publicadas em 7 e 8 de outubro de 2026, com base em apuração da Folhapress. As medidas descritas são propostas em estudo pela equipe econômica do candidato e não constam no plano de governo oficial registrado no TSE, conforme afirmou a assessoria de Flávio Bolsonaro. A vinculação das medidas à campanha foi confirmada por assessores e empresários que estiveram com membros da equipe, segundo a Folha de S.Paulo, que mantém o teor da reportagem. As mudanças propostas exigiriam PECs, que precisam de 3/5 dos votos na Câmara e no Senado para serem aprovadas. O espaço para manifestação da campanha e de todos os envolvidos permanece aberto.

