|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O que foi apagado

Entre as publicações excluídas está uma de 24 de novembro de 2011, em que o então deputado estadual escreveu:
“Fui o único voto contra na @alerj ao projeto ‘Renda Melhor’, q chamei de ‘bolsa-farelo’, pelo seu caráter clientelista eleitoral” .
O Renda Melhor foi criado pelo governo do Rio de Janeiro em 2011 e pagava um benefício adicional de até R$ 300 para as famílias que já recebiam Bolsa Família. O objetivo era combater a extrema pobreza.

Também foram apagadas:
- Uma postagem de junho de 2013 em que o senador afirmava que o PT “perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos” ;
- Uma publicação de 2014 em que Flávio escreveu: “#ComissãoDaVerdadeDescobre que dinheiro cai do céu e ninguém precisa trabalhar dobrado para manter quem vive de bolsa família” ;
- Outra postagem de 2014 em que questionava a metodologia do desemprego: “Os milhões que recebem bolsa-família ou auxílio-desemprego, não procuram emprego. Para o PT, estão empregados” ;
- Uma publicação de 2011 em que resumiu um reajuste do auxílio como “financiamento público de campanha do PT” .
No caso do Renda Melhor, Flávio fez cinco publicações sobre a aprovação do projeto em novembro de 2011. Em todas, referiu-se ao programa como “bolsa-farelo” .
“Fiz emendas ao projeto, q foram rejeitadas, p/ limitar em 2 anos o tempo p/ a pessoa receber o ‘bolsa-farelo’, escreveu.
O que diz a campanha
O Estadão questionou a campanha de Flávio Bolsonaro sobre o motivo dos posts terem sido excluídos. Não houve resposta até a publicação . O espaço segue aberto.
Em um vídeo publicado no Instagram nesta segunda-feira (19) , o senador disse que quem recebe o Bolsa Família pode ficar “tranquilo” porque o “benefício está garantido” .
A proposta de regra de transição
O prazo de dois anos citado por Flávio em 2011 voltou ao debate público nesta segunda-feira, mas de uma forma diferente. A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, disse em entrevista à CBN Bahia que um eventual governo Flávio pretende implementar uma regra de transição de dois anos no Bolsa Família, para que os beneficiários abram seus negócios ou aceitem empregos de carteira assinada, com retorno automático ao benefício caso não consigam oportunidades.
“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família; aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada, e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade. É justamente nisso que a gente quer focar, esse é o coração do plano do Flávio” , afirmou Marques.
Após a entrevista, perfis do PT e de apoiadores do presidente Lula passaram a divulgar nas redes sociais que Flávio pretendia desligar beneficiários do Bolsa Família após dois anos . Com a repercussão, Daniella gravou um vídeo desmentindo a informação e explicando sua fala. O senador acusou a esquerda de espalhar mentira .
“A sua família hoje se aumentar a renda ou aceitar um emprego de carteira assinada, com o Lula mantém o Bolsa Família só por um ano. Com o Flávio, vai manter por dois anos. Com o Lula o retorno é em até 36 meses. Com o Flávio, seu retorno [ao programa] é automático” , afirmou Daniella.
Referências
[1] UOL / Agência Estado — Flávio apaga posts em que criticava Bolsa Família e chamava benefício de ‘bolsa-farelo’. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/10/19/flavio-apaga-posts-em-que-criticava-bolsa-familia-e-chamava-beneficio-de-bolsa-farelo.amp.htm
[2] Terra — Flávio apaga posts em que criticava Bolsa Família e chamava benefício de ‘bolsa-farelo’. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/flavio-apaga-posts-em-que-criticava-bolsa-familia-e-chamava-beneficio-de-bolsa-farelo,f7b65c99e7a1dbaf208b80cc2fdac2b3grv3l1gg.html
Nota editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens do UOL/Agência Estado e do Terra, publicadas em 19 de outubro de 2026, com base em levantamento do Estadão que fez o download de todas as publicações de Flávio Bolsonaro no X em junho deste ano. A exclusão dos posts foi constatada pela comparação com a planilha obtida pelo Estadão. A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu ao questionamento sobre o motivo das exclusões até a publicação. O senador nega que tenha mudado de posicionamento sobre o Bolsa Família e afirma que o benefício está garantido. A proposta de regra de transição de dois anos foi apresentada por sua coordenadora econômica e não foi detalhada oficialmente pela campanha . O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

