Caso Master

Contrato de R$ 427 milhões: a “Turma do KN” e o esquema para destravar precatórios de Vorcaro

Arquivos enviados pela PF ao STF revelam contrato de honorários de R$ 427 milhões firmado pelo Banco Master com escritório da mulher do desembargador Newton Ramos (TRF-1); mensagens citam "Turma do KN", referência ao ministro Kassio Nunes Marques, e pedidos de hospedagem no hotel Fasano com a resposta "Pode botar na minha conta"

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Arquivos apreendidos pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam um contrato de honorários de R$ 427 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) [1].

O valor seria pago em caso de êxito em 12 processos que poderiam destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse do ex-banqueiro. Segundo a reportagem da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, os documentos foram encaminhados ao STF pela PF no âmbito do inquérito que investiga a atuação do Banco Master e suas conexões com autoridades [1].

“Turma do KN” e os pedidos de hospedagem

Nas mensagens extraídas do celular de Vorcaro, o grupo envolvido nos processos é chamado de “Turma do KN” — referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF [1].

As conversas também mostram pedidos de hospedagem no hotel Fasano Itaim, em São Paulo, atribuídos a “KN”. Em uma das mensagens, Vorcaro responde: “Pode botar na minha conta” [1]. A reportagem não detalha se as hospedagens foram efetivamente pagas pelo ex-banqueiro nem quem seriam os hóspedes.

O contrato e os precatórios

O contrato de R$ 427 milhões foi firmado em um contexto de disputa judicial envolvendo **precatórios** — ordens de pagamento emitidas pelo Judiciário após condenações definitivas contra a Fazenda Pública. O Banco Master teria interesse em 12 processos que, se destravados, liberariam R$ 8,5 bilhões [1].

Reprodução Metrópolis

O que dizem os envolvidos

A reportagem do Metrópoles procurou os envolvidos, mas não obteve retorno até a publicação [1]. O ministro Kassio Nunes Marques já negou anteriormente ter trocado mensagens com Vorcaro ou pedido qualquer coisa a ele. A defesa do desembargador Newton Ramos e da advogada Camilla Ramos não se manifestou sobre o contrato específico até o fechamento desta reportagem.

A Polícia Federal não informou se o contrato foi efetivamente executado nem se os pagamentos chegaram a ser realizados. O STF não se pronunciou sobre o conteúdo dos arquivos enviados pela PF [1].

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A revelação amplia o escopo da investigação sobre a relação entre Vorcaro e o Judiciário. Até agora, as apurações concentravam-se nas mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes, que levaram à crise institucional no STF. O novo contrato, no entanto, aponta para uma possível estrutura de influência em tribunais superiores que envolveria não apenas o STF, mas também o TRF-1.

Se confirmado que o contrato visava obter favorecimento em processos judiciais, os envolvidos podem responder por crimes como tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF ainda investiga a origem, a efetiva realização e o destino dos valores previstos no acordo.

Referências

Metrópoles — R$ 427 milhões: o contrato da “Turma do KN” para destravar precatórios de Vorcaro.

O Globo — PF aponta que Vorcaro montou rede de monitoramento e influência com infiltração em instituições.

Agência Brasil — Defesa de Daniel Vorcaro pede revogação de prisão preventiva a Fachin.

Nota Editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem a reportagem da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, publicada em 21 de setembro de 2026, com base em arquivos apreendidos pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro e enviados ao Supremo Tribunal Federal. O contrato de R$ 427 milhões e as mensagens citadas são elementos de investigação e não constituem, por si só, prova de irregularidade. A associação da sigla “KN” ao ministro Kassio Nunes Marques foi feita pela Polícia Federal com base no contexto das conversas, e o ministro nega qualquer vínculo com Vorcaro. O desembargador Newton Ramos e a advogada Camilla Ramos não se manifestaram até a publicação. Os prints das mensagens obtidos pela reportagem não foram divulgados na íntegra e a apuração sobre a efetiva execução do contrato e o destino dos valores ainda está em curso. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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