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Terceiro colocado na corrida presidencial exige compromisso com carta de oito pontos socioeconômicos e pacificação institucional.
A adesão do escritor e médico psiquiatra Augusto Cury (Avante) à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) reorganiza o tabuleiro político do segundo turno presidencial. Ao obter o respaldo do terceiro colocado no primeiro turno — detentor de mais de 3,4 milhões de votos —, a campanha liberal ganha fôlego estratégico, ao mesmo tempo em que Cury estabelece uma postura crítica e condicional ao assinar uma carta de compromissos focada em ética pública, educação e pacificação nacional.
O ex-candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, formalizou nesta quinta-feira (8) seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa do segundo turno contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi fechada após uma conversa por videochamada entre as lideranças políticas.
Terceiro colocado no pleito de 4 de outubro, Cury registrou 3,44 milhões de votos (2,89% dos votos válidos). De acordo com o escritor, a aliança política não envolveu barganha por cargos, ministérios ou privilégios futuros, mas foi condicionada à aceitação irrestrita de uma agenda programática composta por oito eixos fundamentais:
- Fim da Reeleição Presidencial: Defesa da alternância contínua de poder e renovação dos quadros democráticos.
- Transformação da Saúde Pública: Expansão da telemedicina e inclusão de tecnologia moderna no SUS.
- Proteção Integral às Mulheres: Monitoramento tecnológico e enfrentamento rigoroso da violência de gênero.
- Valorização da Educação: Reestruturação salarial para professores e modernização do ambiente escolar.
- Estímulo às Microempresas: Linhas de financiamento para até 10 milhões de microempreendedores.
- Estímulo às Microempresas: Linhas de financiamento para até 10 milhões de microempreendedores.
- Fortalecimento do Cooperativismo: Apoio ao ato cooperativo e agregação de valor na cadeia agroindustrial.
- Sustentabilidade e Agro: Meta de dobrar a produção sustentável de alimentos em uma década.
- Pacificação Nacional e Transparência: Gestão suprapartidária, combate ostensivo à corrupção e respeito ao papel das oposições e minorias.
- Durante a formalização do acordo, Cury ressaltou que a adesão “não constitui um cheque em branco” e que manterá o direito e o dever de vigiar, criticar e exigir coerência entre as promessas de campanha e os atos de governo
Nota Editorial
A Política dos Compromissos em Xeque.
A aliança firmada entre Augusto Cury e Flávio Bolsonaro ilustra o momento da corrida presidencial em que pragmatismo eleitoral e coerência ideológica se cruzam. Ao fixar exigências programáticas bem delimitadas — como a eliminação da reeleição e o incentivo ao microempreendedorismo —, Cury busca sinalizar ao eleitorado de centro que seu capital político não será entregue sem contrapartida institucional. Resta ao eleitor observar se compromissos firmados no calor da disputa de segundo turno se traduzirão em diretrizes de governo ou se sucumbirão às costumeiras conveniências das coalizões do poder.


