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PIB argentino cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre, a alta foi de 2% na mesma base de comparação, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) .
Os resultados positivos, porém, escondem uma perda de ritmo. Entre abril e junho, o PIB caiu 0,6% em relação aos três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais. O consumo privado recuou 2,4% , o consumo público diminuiu 2,3% e os investimentos caíram 0,8% .
Na comparação anual, a formação bruta de capital fixo — indicador dos investimentos realizados na economia — teve queda de 11,1% .
A inflação mensal desacelerou para 1,7% em agosto de 2026 , o menor resultado desde junho de 2025. O índice acumulado caiu para cerca de 30% nos primeiros dois anos de gestão de Milei, após ter chegado a quase 290% no acumulado de 12 meses.
O modelo inspira a campanha de Flávio

A discussão ocorreu depois que Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, classificou Milei como um ótimo exemplo para o Brasil . Em setembro, ela afirmou que a equipe pretende se inspirar nas reformas argentinas para reduzir impostos, eliminar normas e diminuir a estrutura do Estado .
O programa de Flávio inclui cortes de gastos públicos, redução de ministérios, desregulamentação econômica e mudanças nas regras trabalhistas . Em junho, o candidato associou sua proposta de redução da estrutura estatal, chamada de “tesouraço”, à motosserra utilizada por Milei como símbolo de sua política de austeridade.
No debate da Band, Flávio não respondeu diretamente à pergunta de Lula sobre o modelo argentino. O senador respondeu com críticas às relações do presidente brasileiro com governos da América Latina, sem explicar quais medidas de Milei pretende adotar.
A recuperação desigual
A composição do crescimento ajuda a entender o cenário. No primeiro trimestre, agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira estiveram entre os principais motores da expansão, enquanto a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista caiu 0,3% .
No segundo trimestre, atividades ligadas às exportações voltaram a se destacar: a pesca cresceu 44,7% , a mineração e extração em pedreiras avançaram 16,4% , e a agropecuária teve alta de 6,9% . As exportações de bens e serviços aumentaram 13,7% , enquanto as importações diminuíram 8,6% . Em sentido contrário, a indústria manufatureira recuou 2,1% .
Os números apontam para uma recuperação desigual: enquanto atividades ligadas às exportações avançam, segmentos mais dependentes do mercado interno enfrentam dificuldades .
Pobreza e desemprego em alta
A taxa de pobreza subiu para 32,3% no primeiro semestre de 2026 , acima dos 28,2% registrados no semestre anterior. Foi a primeira alta do indicador em dois anos .

O levantamento do Indec abrange 31 aglomerados urbanos e indica que 9,7 milhões de pessoas viviam na pobreza . A extrema pobreza também aumentou: passou de 1,9 milhão (6,3%) para 2,2 milhões (7,5%) .
O desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026 , ante 7,6% no mesmo período de 2025. A estimativa é que aproximadamente 1,8 milhão de argentinos estivessem desempregados nos 31 aglomerados urbanos acompanhados pelo instituto. Além disso, quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade .
Empresas e indústria em dificuldade
O número de empregadores com pelo menos um funcionário registrado caiu de 512.357, em novembro de 2023 , para 480.067, em julho de 2026 — uma redução de 6,3% , segundo a Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) . Foram 32.290 empregadores a menos, marcando o 18º mês consecutivo de retração .
O levantamento da Fundar, centro de pesquisas argentino, mostra que o país perdeu 31.342 empresas entre novembro de 2023 e junho de 2026, uma redução de 6,1% no total de estabelecimentos registrados. A retração alcançou 14 dos 18 setores analisados e 23 das 24 províncias argentinas. A principal exceção foi Neuquén, impulsionada pela exploração de gás natural em Vaca Muerta .
Segundo o Centro de Economia Política Argentina (Cepa) , aproximadamente 245,6 mil empregos privados registrados foram perdidos desde o início da gestão Milei até junho de 2026. Parte dessas perdas foi compensada pela expansão do trabalho autônomo, que cresceu 169 mil postos .
A produção industrial argentina caiu 12% no primeiro semestre do ano . Nos 12 meses encerrados em julho, a produção industrial acumulou queda de 2,6% , com o segmento de equipamentos eletrônicos e médicos registrando retração de 19,1% .
O que diz o governo argentino
O governo argentino defende que as reformas ajudaram a controlar a inflação, recuperar o crescimento em 2025 e melhorar indicadores fiscais . Milei também destaca o desempenho das exportações e sustenta que a redução da presença estatal é necessária para tornar a economia mais competitiva.
Referências
[1] G1 — Como está a economia da Argentina? Crescimento e queda da inflação contrastam com pobreza e desemprego. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/18/como-esta-a-economia-da-argentina.ghtml
[2] Revista Fórum — Como está a Argentina de Milei, modelo econômico defendido por Flávio Bolsonaro. Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/1-como-esta-a-argentina-de-milei-modelo-economico-defendido-por-flavio-bolsonaro/
[3] Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) — Dados econômicos e sociais da Argentina. Disponível em: https://www.indec.gob.ar/
[4] Fundar — Levantamento sobre empresas na Argentina. Disponível em: https://fund.ar/
[5] Centro de Economia Política Argentina (Cepa) — Dados sobre emprego e indústria. Disponível em: https://centrocepa.com.ar/
Nota editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens do G1 e da Revista Fórum, publicadas em 18 de outubro de 2026, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), da Fundar e do Centro de Economia Política Argentina (Cepa). Os indicadores econômicos e sociais são oficiais e verificáveis. A associação do modelo argentino à campanha de Flávio Bolsonaro é baseada em declarações públicas de sua coordenadora econômica, Daniella Marques. O candidato não detalhou quais medidas de Milei pretende adotar. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

