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A ação foi protocolada na terça-feira (29) pelo piloto Mauro Mattosinho, testemunha da Operação Carbono Oculto, e distribuída à 5ª Vara Federal Cível do Distrito Federal. O processo tem Alcolumbre como réu e inclui pedido de liminar. Mattosinho quer saber se Beto Louco esteve no Senado entre 2023 e 2025 e, em caso positivo, em quais datas e horários entrou e deixou o prédio.
A petição afirma que o objetivo é derrubar o que chama de “sigilo ‘genérico’ de entradas e saídas do Senado Federal”. O documento atribui diretamente a Alcolumbre, como presidente do Senado, responsabilidade pela restrição. Ao justificar por que o senador aparece no polo passivo do processo, a ação o descreve como “responsável pela imposição notória de sigilo às informações objeto da presente demanda”.
Senado já negou acesso aos dados
A disputa não parte apenas da possibilidade de Beto Louco ter passado pelo Congresso. Os registros já foram solicitados ao Senado e a Casa se recusou a entregá-los. Segundo os documentos apresentados à Justiça, o UOL pediu informações sobre eventuais entradas de Beto Louco no Senado. A solicitação foi negada sob o argumento de que os dados estariam protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Houve recurso administrativo, mas as informações não foram liberadas. É essa interpretação que Mattosinho tenta derrubar judicialmente.
A petição sustenta que a proteção de dados pessoais não pode ser analisada isoladamente quando estão em discussão registros mantidos por um órgão público. O documento questiona se a LGPD pode funcionar como “fundamento suficiente para impedir o acesso às informações solicitadas” e contrapõe a justificativa do Senado aos princípios da publicidade e da transparência. Para os autores, saber quem frequenta as dependências de uma instituição pública pode ter interesse que ultrapassa a esfera privada dos visitantes. A petição associa os registros ao “controle social sobre a atuação e a transparência dos órgãos públicos”.
Quem é Beto Louco
Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, foi denunciado neste mês pelo Ministério Público de São Paulo por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Investigações da Operação Carbono Oculto apontam ele e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, como personagens de um esquema bilionário no setor de combustíveis investigado por ligações com o PCC. Os dois estão foragidos.

Imagem: Reprodução
Segundo reportagem da revista Piauí, Beto Louco, em proposta de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR), alegou ter desembolsado R$ 2,5 milhões a pedido de Alcolumbre. O valor teria sido usado para bancar um show do cantor Roberto Carlos em Macapá, capital do Amapá, em 28 de dezembro de 2024. Beto Louco alega que a negociação ocorreu pessoalmente no gabinete de Alcolumbre no Senado, em 20 de dezembro de 2024. Em troca do apoio financeiro, o líder do esquema do PCC teria solicitado que o senador exercesse sua influência para reverter uma decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que havia proibido a empresa Copape, gerida por Beto Louco e Primo, de produzir combustível.
Alcolumbre e o “Careca do INSS”
Não é a primeira vez que Alcolumbre é questionado por impor sigilo sobre visitas de investigados ao Senado. Em setembro de 2025, o presidente da Casa decretou sigilo de 100 anos sobre os registros de visitas de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador de um esquema que desviou mais de R$ 6 bilhões de aposentados. A jornalista Malu Gaspar, do O Globo, relacionou o sigilo à operação da Polícia Federal contra a “máfia do INSS” , que prendeu o número dois do Ministério da Previdência e mirou o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
O que diz o Senado
O Senado Federal não se manifestou sobre a ação popular até a publicação desta reportagem. A defesa de Alcolumbre também não se pronunciou. O espaço permanece aberto para manifestação.
A 5ª Vara Federal Cível do Distrito Federal decidirá se concede a liminar para que o Senado apresente os registros de Beto Louco. Não há prazo definido para a análise do pedido.

